Especialistas em monitoramento de pastagens da Embrapa, universidades e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) se reuniram para desenvolver uma versão preliminar de um sistema para diagnóstico e acompanhamento das pastagens no Brasil.
O encontro ocorreu entre os dias 11 e 13 de março, na Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), com a participação de cerca de 70 pessoas.
Diagnóstico e monitoramento de pastagens

Com base na Embrapa, a reunião foi a primeira etapa de um processo mais amplo para definir conceitos e protocolos específicos para diferentes regiões do Brasil.
Segundo a pesquisadora Patrícia Santos, da Embrapa Pecuária Sudeste, que coordenou a ação, o principal motivo desse esforço é a falta de padronização das informações sobre as pastagens no Brasil. Isso ocorre devido a divergências nos conceitos utilizados, ao entendimento limitado sobre o processo de degradação em algumas áreas e à limitação dos métodos de avaliação.
“O Brasil é um país grande e as pastagens têm características diferentes em cada região. Para lidar com essa complexidade, propusemos a construção coletiva das bases de um sistema para diagnóstico e monitoramento de pastagens. A informação sobre degradação flui por diversos atores, desde a academia, que cria os conceitos, passando por técnicos e produtores que observam o fenômeno na prática, até chegar a instituições financeiras, ao Banco Central, às certificadoras e ao governo. Nesse fluxo, há um grande ruído de comunicação, pois cada um obtém e interpreta as informações de uma perspectiva distinta”, explicou.
O principal objetivo da oficina foi desenvolver um sistema prático, de fácil aplicação e com abrangência nacional, utilizando indicadores simples e verificáveis para facilitar o diagnóstico das pastagens. Isso deve permitir maior alinhamento entre os dados de campo e os obtidos por sensoriamento remoto, além de ajudar na melhoria do acompanhamento das políticas públicas.
O sistema também pode fornecer informações úteis para decisões privadas relacionadas à recuperação de pastagens degradadas e à implementação de sistemas agrícolas, pecuários e florestais mais sustentáveis.
Guillaume Tessier, especialista do Instituto Clima e Sociedade, acredita que a definição desses indicadores pode aumentar a confiança no PNCPD e demonstrar que o Brasil está adotando medidas para tornar a agropecuária mais sustentável, o que pode atrair investimentos.
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Protocolo de campo

Após a versão preliminar, a primeira versão do protocolo de campo deve ser divulgada no primeiro semestre de 2025.
“Esse trabalho não se encerra aqui. Há muitas melhorias a serem feitas. Com o engajamento desses atores, haverá condições de iniciar um movimento que será muito importante para o Brasil. A área de pastagens é muito grande e tem uma importância social e econômica enorme. Ela resvala em questões ambientais, assim, temos que buscar soluções que visem, de fato, a sustentabilidade em todas as suas dimensões, o que é um baita desafio”, destacou Patrícia.







