A Embrapa Trigo, no Rio Grande do Sul, passou a contar com uma plataforma de genotipagem de última geração que promete tornar mais ágil o trabalho de pesquisa voltado ao melhoramento do trigo.
Com a automatização do preparo das amostras de DNA, uma etapa que antes levava vários dias agora pode ser concluída em cerca de 12 horas, reduzindo custos e ampliando a capacidade de análise genética.
Melhoramento do trigo

A modernização ocorreu com a incorporação de equipamentos capazes de automatizar o preparo das amostras e realizar o sequenciamento do material genético em larga escala. A tecnologia representa um salto na rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo, permitindo que atividades que antes demandavam aproximadamente um ano sejam realizadas em poucos dias.
A evolução acompanha as transformações da própria técnica de genotipagem, utilizada para identificar variações no DNA das plantas. Ao longo das últimas décadas, os métodos passaram de análises manuais para sistemas automatizados e, mais recentemente, para o sequenciamento de segunda geração, que oferece maior precisão e capacidade de processamento.
Os avanços são especialmente importantes para o trigo, cujo genoma é cerca de cinco vezes maior que o do ser humano. Desde que o sequenciamento completo da espécie foi disponibilizado por um consórcio internacional de pesquisa, em 2018, novas ferramentas passaram a apoiar o desenvolvimento de cultivares com características agronômicas superiores.
Nova plataforma

Atualmente, a equipe da Embrapa Trigo dispõe de aproximadamente 5 mil marcadores moleculares para o trigo e outros 3,5 mil para a cevada compatíveis com a nova plataforma. Esses marcadores funcionam como referências genéticas que ajudam os pesquisadores a identificar plantas com potencial para apresentar maior produtividade, resistência a doenças e outras características de interesse.
A nova estrutura também amplia significativamente a capacidade de processamento das análises. Em uma única rodada, é possível avaliar simultaneamente 384 amostras utilizando 202 marcadores moleculares, gerando cerca de 80 mil pontos de dados para apoiar os programas de melhoramento genético.
Além de acelerar a obtenção de informações, a tecnologia permite examinar regiões específicas do DNA com maior nível de detalhamento, facilitando a identificação de genes e alelos associados a características desejáveis. Esse conhecimento contribui para tornar mais eficiente a seleção de linhagens que poderão integrar os cruzamentos utilizados no desenvolvimento de novas cultivares.
Entre as aplicações já em andamento está o fortalecimento da resistência genética do trigo à brusone, uma das principais doenças que afetam a cultura. A utilização das análises moleculares e da seleção assistida tem reforçado as estratégias de pesquisa voltadas à obtenção de variedades mais resistentes e adaptadas às necessidades da produção agrícola.







