Pesquisas conduzidas pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com instituições do Brasil e do exterior, identificaram gene de amendoim capazes de reforçar a resistência de culturas agrícolas a diferentes tipos de estresse.
A estratégia, baseada em espécies nativas da América do Sul, abre novas frentes para o melhoramento genético ao integrar conhecimentos sobre biodiversidade com técnicas avançadas de biotecnologia.
Gene de amendoim

Entre os destaques está o gene AdEXLB8, extraído da espécie Arachis duranensis, considerada uma das ancestrais do amendoim cultivado. De acordo com os estudos, a introdução desse material genético ativa mecanismos de defesa que ajudam as plantas a lidar com desafios como escassez de água, ataque de nematoides e infecções por fungos.
Ensaios realizados com tabaco, soja e amendoim indicaram ganhos na tolerância à seca, maior resistência ao nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.) e redução dos efeitos de doenças causadas por fungos, como o Sclerotinia sclerotiorum.
Em alguns casos, a incidência de nematoides em raízes com superexpressão do gene foi reduzida em até 60%, sem impacto negativo sobre a produção ou a qualidade dos grãos.
Linha de pesquisa

A linha de pesquisa teve início a partir da observação de que espécies silvestres do gênero Arachis apresentam maior robustez frente a condições ambientais adversas, como salinidade e falta de água.
Esse material, preservado em programas de conservação da Embrapa, também demonstrou resistência natural a pragas e patógenos, resultado de processos evolutivos que ocorreram ao longo de milhares de anos em diferentes ecossistemas.
Nos anos 2000, a pesquisadora Patricia Messemberg liderou a etapa de caracterização molecular dessas espécies, com o objetivo de mapear genes de interesse para o desenvolvimento de cultivares mais adaptadas às exigências do campo. Segundo ela, muitas dessas características se perderam ao longo do processo de domesticação do amendoim.
Messemberg também destaca que, historicamente, o uso de materiais silvestres em programas de melhoramento enfrentou resistência, já que o cruzamento com cultivares comerciais podia introduzir características indesejadas junto com os traços positivos.
A abordagem atual, baseada na identificação e no uso direcionado de genes específicos, busca contornar essa limitação e ampliar as possibilidades para a produção agrícola.







