A ampliação da colheita da terceira safra de feijão carioca aumentou a oferta do grão no mercado e provocou queda nos preços pagos ao produtor.
A avaliação consta no mais recente boletim do Indicador de Preços Cepea/CNA, que analisou o comportamento do mercado entre os dias 9 e 16 de julho.
Safra de feijão

Segundo o levantamento, a maior disponibilidade de grãos de boa qualidade reduziu o interesse dos compradores, que aguardam a chegada de novos volumes ao mercado. Ao mesmo tempo, produtores aproveitaram as margens ainda consideradas favoráveis para negociar os estoques, o que contribuiu para ampliar a pressão sobre as cotações.
Entre as regiões monitoradas, as maiores desvalorizações do feijão carioca de melhor qualidade foram registradas no Centro-Noroeste de Goiás e no Noroeste de Minas Gerais, com recuos próximos de 10%. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a queda foi de 6,38%.
No caso do feijão carioca de qualidade intermediária, o movimento também foi de baixa na maior parte das praças. A exceção foi Belo Horizonte (MG), onde a demanda da indústria por lotes classificados como nota 8,5 impulsionou leve alta nos preços. Já a metade sul do Paraná apresentou uma das maiores retrações, influenciada pela redução do número de compradores e por questionamentos sobre a qualidade do produto.
Enquanto o feijão carioca enfrenta maior pressão de oferta, o mercado do feijão preto segue em cenário distinto. A menor disponibilidade do grão, agravada pelas perdas de produção e pelo encerramento da segunda safra no Paraná, mantém as cotações sustentadas. Na semana analisada, os preços avançaram no Oeste de Santa Catarina e na metade sul do Paraná, embora Curitiba tenha registrado leve recuo, refletindo a demanda moderada e estoques ainda abastecidos.
Feijão preto

As perspectivas para o feijão preto também são influenciadas pelas projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento de julho reduziu em 7,3% a estimativa de produção em relação ao relatório anterior. Para a safra 2025/26, a expectativa é de uma colheita de 469,5 mil toneladas, volume 42,1% inferior ao registrado na temporada passada, em consequência da redução da área cultivada e dos impactos das condições climáticas no Paraná.
Com esse cenário, a tendência é que a oferta crescente da terceira safra continue pressionando os preços do feijão carioca nas próximas semanas, enquanto a menor disponibilidade de feijão preto deve manter o mercado mais firme.







