O agronegócio brasileiro registrou 28,4 milhões de pessoas ocupadas no segundo trimestre de 2026, o maior número para o período desde o início da série histórica, em 2012.
O contingente correspondeu a 26% do total de trabalhadores ocupados no país. Os dados são do boletim de Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Agronegócio brasileiro

Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, o número de pessoas ocupadas no setor apresentou crescimento de 0,1%, com acréscimo de 27 mil trabalhadores. O avanço foi inferior ao registrado no mercado de trabalho brasileiro como um todo, que teve alta de 1% no período, equivalente à entrada de aproximadamente 1,08 milhão de pessoas na população ocupada.
O principal impulso veio da produção agropecuária primária, que ampliou em 1,9% o número de trabalhadores, com a incorporação de cerca de 145,8 mil pessoas. As atividades ligadas à agricultura e à produção florestal responderam pela maior parte desse resultado, com crescimento de 2,9%. A pecuária e a pesca, por outro lado, apresentaram leve recuo de 0,2%.
Entre as atividades agrícolas, a cafeicultura se destacou, com aumento de 31% na ocupação, o equivalente a 186,3 mil pessoas. O resultado coincide com o avanço da colheita da safra de café de 2026, iniciada em abril e intensificada entre junho e agosto em Minas Gerais, principal estado produtor. O cultivo de milho também registrou expansão, de 19%, enquanto a produção florestal cresceu 5,3%.
Apesar do desempenho positivo dessas atividades, outras culturas apresentaram redução no número de trabalhadores. O cultivo de fumo teve queda de 22,6%, seguido pela soja, com recuo de 10%, e pela cana-de-açúcar, cuja ocupação diminuiu 8,8% na comparação com o trimestre anterior.
Indústria

Nos segmentos de insumos agropecuários, a população ocupada caiu 4,8% entre o primeiro e o segundo trimestre, com redução de 15,3 mil pessoas. A principal retração ocorreu na indústria de máquinas agrícolas, que perdeu 9 mil trabalhadores, uma queda de 11,4%. Também houve diminuição da ocupação nas indústrias de rações, fertilizantes e defensivos.
A agroindústria manteve o número de ocupados praticamente estável na comparação trimestral, com redução de aproximadamente 1,8 mil pessoas. O resultado, porém, foi marcado por diferenças entre as atividades. Enquanto a agroindústria de base agrícola cresceu 1,1%, com acréscimo de 36 mil trabalhadores, a de base pecuária recuou 3,1%, com redução de 37,8 mil pessoas.
Entre as atividades industriais de base agrícola, houve aumento da ocupação na fabricação de sucos de frutas e conservas, com alta de 34,6%, e na indústria de têxteis de base natural, que avançou 20,9%. Já no segmento de base pecuária, a indústria de abate de animais registrou queda de 3,6%, enquanto a de couro e calçados apresentou retração de 4,7%.
Nos agrosserviços, que abrangem atividades de apoio à cadeia produtiva, como transporte, comércio e armazenamento, a ocupação estimada recuou 0,9% no trimestre, o equivalente a 101,7 mil pessoas. trabalhadores no período.
Comparação anual
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o agronegócio apresentou crescimento de 0,7% na população ocupada, com acréscimo de 188,6 mil pessoas. O resultado acompanhou a variação observada no mercado de trabalho brasileiro, que também cresceu 0,7% no intervalo.
O segmento primário foi novamente o principal destaque, com alta de 2,7% e aumento de 210,2 mil trabalhadores. A expansão foi impulsionada pelas atividades de agricultura e produção florestal, cuja ocupação cresceu 3,7%. A cafeicultura avançou 19,1%, enquanto a soja registrou alta de 13,8% e a produção florestal aumentou 15,3%.
Na pecuária e na pesca, o crescimento foi mais moderado, de 0,4%. A avicultura apresentou aumento de 21% no número de ocupados, e a suinocultura avançou 32,9%. Em sentido contrário, a bovinocultura registrou queda de 5,2%, enquanto as atividades de caprinos e ovinos recuaram 31%.
Os resultados positivos do segmento primário e dos agrosserviços, que cresceram 1,1% em um ano, compensaram parcialmente as perdas registradas em outras áreas da cadeia produtiva. Na indústria de insumos, a ocupação diminuiu 6,5%, enquanto a agroindústria teve queda de 2,4%, correspondente a 114,2 mil pessoas.
Na agroindústria, as retrações mais expressivas na comparação anual ocorreram nas atividades ligadas à produção de etanol, com redução de 26,3% na ocupação, e de açúcar, com queda de 20,6%. A indústria de produtos de madeira também apresentou recuo, de 12,7%. Em contrapartida, houve crescimento na fabricação de óleos e gorduras, de 42%, e na indústria de sucos de frutas e conservas, de 22,3%.







