Os preços do feijão permaneceram em alta na primeira quinzena de outubro, impulsionados principalmente pela oferta restrita e pela menor disponibilidade de lotes de melhor qualidade.
O feijão preto liderou as valorizações no período, mesmo com a demanda moderada e o ritmo pontual das negociações. Os dados são do Indicador de Preços do Feijão, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Preços do feijão preto

Na primeira metade do mês, o feijão preto tipo 1 registrou valorização de 9,72%. Entre as variedades de feijão carioca, os lotes de qualidade superior tiveram alta de 0,69%, enquanto os de padrão intermediário avançaram 1,35%. No acumulado de 2026, as altas chegaram a 87,96% para o feijão preto, 36,23% para o carioca de qualidade superior e 38,06% para o intermediário.
O comportamento dos preços reflete diferenças na disponibilidade e na procura por cada tipo de grão. Enquanto a oferta mais restrita favorece a sustentação das cotações, a menor participação dos compradores limita a liquidez e reduz o espaço para novas altas em parte do mercado.
Para o feijão carioca de peneira 12 e nota 9 ou superior, os preços avançaram em importantes regiões produtoras, diante da menor oferta de lotes e da retenção de produto com maior umidade pelos vendedores.
O Centro-Noroeste Goiano registrou a maior valorização entre as localidades citadas, com alta de 2,02%. Na sequência, apareceram o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, com avanço de 1,65%, e o Noroeste Mineiro, com 1,62%.
Em sentido contrário, as cotações recuaram em Barreiras, na Bahia, onde a queda foi de 0,68%, e em Sorriso, em Mato Grosso, com redução de 0,91%. Nesses mercados, a participação limitada dos compradores e o baixo volume de negócios contribuíram para pressionar os preços.
Feijão carioca

No segmento de feijão carioca de notas 8 e 8,5, a demanda enfraquecida e a necessidade de venda por parte de produtores e comerciantes com compromissos financeiros aumentaram a pressão sobre as cotações. O Leste Goiano registrou queda de 3,46%, seguido por Sorriso (MT), com recuo de 2,33%, e pelo Distrito Federal, onde os preços diminuíram 2,08%.
A exceção foi Itapeva, em São Paulo, que apresentou valorização de 2,32%, favorecida pela preferência dos compradores por lotes de melhor padrão. Ainda assim, a baixa liquidez e a oferta distribuída ao longo do período dificultam uma recuperação mais consistente dos preços do feijão carioca intermediário.
As condições de desenvolvimento da primeira safra de feijão 2026/2027 estão entre os principais fatores de atenção para as próximas semanas. Até 9 de outubro, a semeadura alcançava 18,1% da área prevista no país, percentual inferior aos 21,1% registrados no mesmo período de 2025. As instabilidades climáticas têm dificultado os trabalhos no campo e podem afetar o calendário de produção.
Projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apresentadas pelo Cepea, indicam produção nacional de 2,93 milhões de toneladas na safra 2026/2027, volume 0,7% menor que o estimado para o ciclo anterior.
Os estoques finais, por sua vez, estão projetados em 135,8 mil toneladas, crescimento de 37,9%. Apesar da elevação, o volume corresponde a aproximadamente 2,7 semanas de consumo interno, o que indica uma margem limitada para o abastecimento nacional.







