O Vale do Araguaia, entre os estados de Mato Grosso e Goiás, recebeu a Caravana ILPF da Embrapa, que verificou o potencial da região para implantação do sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP). O clima tem ciclo mais curto de chuva do que outras regiões do Centro-Oeste, além de baixa altitude e as altas temperaturas que limitam a atividade agrícola local.
A região do Vale do Araguaia, que compreende municípios nos estados de Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Pará, é uma importante fronteira agrícola para expansão da produção agrícola. Desenvolvimento que tem sido possível, por conta da integração entre pecuária e agricultura, com cultivo de pastagens e grãos, além de outras culturas.

Integração Lavoura-Pecuária no Vale do Araguaia
A equipe da Carana ILPF percorreu quase 2.000 km em Mato Grosso e Goiás, visitando propriedades rurais da região na última semana, onde identificaram potencial e benefício no uso de ILP no Vale do Araguaia, além de realizarem dia de campo, painel de debates e palestras.
O grupo conheceu as características desafiadoras da região. Como o período chuvoso termina mais cedo do que em outras regiões do Centro-Oeste, a janela de semeadura do milho na segunda safra é curta, o que inviabiliza o cultivo em toda a área. Além disso, a baixa altitude e as altas temperaturas limitam a produtividade do grão.
Ao mesmo tempo, os solos arenosos demandam aumento de matéria orgânica para elevar a produtividade da soja na primeira safra.
A agricultura no Vale do Araguaia ainda é uma atividade recente e que acontece na menor área do que a pecuária de corte. As lavouras estão entrando em substituição às pastagens de baixa produtividade ou em processo de degradação.
A integração lavoura-pecuária, segundo os pesquisadores da Embrapa, é uma tecnologia interessante para diferentes tipos de situação. Além de viabilizar financeiramente a reforma das pastagens, o ILP possibilita a melhoria dos atributos do solo, com incremento da matéria orgânica e cobertura durante todo o ano.

Estratégias de ILP na região
Nas visitas técnicas, a equipe observaram viram diferentes estratégias. Em uma propriedade rural de São Miguel do Araguaia, em Goiás, o foco é a produção de soja, com a pastagem sendo semeada na sequência, para aumentar matéria orgânica e formar palhada.
A palhada deixada pelo capim contribui para baixar a temperatura do solo, que chega a cozinhar as sementes, quando exposta diretamente ao sol. Além disso, há a produção de milho consorciado com braquiária na segunda safra, com a colheita de silagem para uso sem confinamento.
Já em outra propriedade rural, no município de Canarana em Mato Grosso, a ILP é feita por meio do arrendamento para lavoura. Após a colheita da soja, é semeado o capim, onde o gado pasteja no período seco. Os números de ganho de peso do rebanho são cresceram pela pastagem de qualidade.
“A integração trouxe muito benefício porque só pasto não consegue romper. A lavoura vai criando palhada, deixando o resíduo do adubo e só me ajudou. Tenho um gado bom, que vem menos mineral. Então ficou bom e muito viável para mim. É uma solução sim para a região”, disse o produtor rural Carlos de Negri, da Fazenda Bariri de Canarana.
A Caravana ILPF também viu o uso de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) em pequenas áreas. No Instituto Federal Goiano, em Iporá, Goiás, uma área experimental testa dois clones de eucalipto e duas espécies nativas: baru e angico. As pesquisas utilizam como componente agrícola soja, milho e consórcio de girassol com capim para produção de silagem.
Caravana ILPF
Antes desta etapa do Vale do Araguaia, a Caravana ILPF já havia passado pelo Espírito Santo, Bahia, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Maranhão, Piauí, Minas Gerais e Goiás. No segundo semestre deste ano serão realizadas mais duas etapas, sendo uma em São Paulo e outra no oeste do Maranhão e sul do Pará.
“Esperamos continuar visitando regiões com potencial de uso da tecnologia, levando informações e trocando experiências. Em breve esperamos ter passado pelos 26 estados e pelo Distrito Federal. Quem sabe, até retornar por onde passamos para ver a evolução dos sistemas”, disse o coordenador da Caravana ILPF e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Marcelo Dias Muller.