O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicou a nova Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção.
A atualização, divulgada no Diário Oficial da União (DOU), reúne informações que orientam políticas públicas de conservação e recuperação da biodiversidade brasileira, além de identificar as espécies que enfrentam maior risco de desaparecer.
Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção

A relação contempla mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres. Já os peixes e invertebrados aquáticos permanecem em uma lista específica, publicada pelo ministério em abril deste ano.
A nova edição substitui a versão de 2022 e foi elaborada a partir das avaliações realizadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com a participação de pesquisadores e especialistas de diversas instituições. Ao todo, a lista reúne 788 espécies ou subespécies ameaçadas de extinção. Já a relação oficial das espécies consideradas extintas no país permanece com nove registros.
Entre os animais classificados como ameaçados, 168 estão na categoria Criticamente em Perigo, sendo que 25 são considerados possivelmente extintos. Outras 285 espécies foram enquadradas como Em Perigo e 336 como Vulneráveis. Apenas o mutum-do-nordeste (Pauxi mitu) continua na categoria Extinta na Natureza, com exemplares existentes apenas em cativeiro.
Os invertebrados terrestres concentram o maior número de registros, com 264 espécies ameaçadas. Na sequência aparecem as aves, com 242 espécies, os répteis, com 123, os mamíferos, com 102, e os anfíbios, com 59.
A revisão resultou na inclusão de aproximadamente 180 espécies ou subespécies na lista, entre elas a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), agora classificada como Vulnerável, além do bugio-preto (Alouatta caraya) e do tamanduaí (Cyclopes rufus). Segundo o ministério, as inclusões refletem tanto a piora no estado de conservação quanto novas avaliações e registros científicos recentes.
Em contrapartida, cerca de 150 espécies deixaram a relação de ameaçadas. De acordo com o MMA, as mudanças são consequência da ampliação do conhecimento científico, revisões taxonômicas, novos registros de ocorrência e, em alguns casos, da melhora nas condições de conservação das populações, permitindo a reclassificação para categorias de menor risco.

A lista oficial de espécies extintas não sofreu alterações em relação ao levantamento anterior e continua contabilizando nove espécies, sendo duas de anfíbios, seis de aves e uma de mamífero. Entre elas está a perereca-gladiadora-de-sino (Boana cymbalum), espécie endêmica da Serra do Mar, em São Paulo, sem registros desde 1962.
Além da atualização da fauna, o ministério também publicou neste ano a primeira Lista Nacional Oficial de Espécies da Funga Ameaçadas de Extinção, composta por 24 espécies de fungos enquadradas nas categorias Vulnerável e Em Perigo.
Segundo o MMA, o levantamento integra um dos maiores processos de avaliação da biodiversidade já realizados no país. Atualmente, mais de 15 mil espécies da fauna brasileira são monitoradas pelo ICMBio. A atualização foi construída ao longo de 15 oficinas técnicas, que reuniram mais de 200 especialistas de instituições de pesquisa e conservação.







