A Mata Atlântica perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura entre 1985 e 2025, enquanto a área destinada à agricultura cresceu cerca de 11 milhões de hectares no mesmo período.
Os dados fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas e mostram as principais mudanças na cobertura e no uso da terra do bioma ao longo de quatro décadas.
Mata Atlântica

Apesar da perda de vegetação madura, o levantamento aponta que mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária surgiram no período. São áreas que haviam sido desmatadas e voltaram a apresentar crescimento de vegetação.
A regeneração, no entanto, não impediu novas perdas. Entre 2021 e 2025, a Mata Atlântica teve 1,2 milhão de hectares de vegetação nativa suprimidos. Desse total, cerca de 700 mil hectares eram de vegetação secundária e 500 mil hectares correspondiam a áreas de vegetação madura. Com isso, as áreas em regeneração representaram aproximadamente 60% da supressão registrada nos últimos cinco anos.
Mesmo com as perdas recentes, a série histórica indica redução na área de vegetação nativa suprimida ao longo dos períodos analisados. Desde os anos 2000, a quantidade retirada a cada intervalo de cinco anos permaneceu abaixo de 2 milhões de hectares. Rio de Janeiro e São Paulo foram os únicos estados onde o levantamento não identificou perda de vegetação nativa ao longo dos 41 anos analisados.
A Mata Atlântica ocupa aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados e está presente em 15 estados brasileiros. Em 2025, a vegetação nativa correspondia a 32% da área do bioma, enquanto as áreas de uso agropecuário somavam 63%.
Dentro desse cenário, a agricultura ocupava cerca de 20,5 milhões de hectares, equivalente a 19% da extensão total da Mata Atlântica. O avanço ocorreu, em grande parte, sobre áreas de pastagem, que perderam aproximadamente 11 milhões de hectares entre 1985 e 2025. A conversão de pastagens para agricultura respondeu por 19% das mudanças de cobertura e uso da terra identificadas no período.
Soja

A soja foi uma das culturas que mais ampliaram sua área. O cultivo avançou 8,7 milhões de hectares em 41 anos e chegou a 11,11 milhões de hectares em 2025, 4,6 vezes a área registrada no início da série. A cana-de-açúcar também apresentou forte expansão, com acréscimo de 5 milhões de hectares e área total de 6,15 milhões de hectares em 2025.
A Mata Atlântica concentrava, naquele ano, 25% das áreas de soja mapeadas no país, além de metade das áreas de cana-de-açúcar. O bioma também reunia 68% dos cafezais brasileiros, com 833 mil hectares, e 34% das áreas destinadas a citrus, que somavam 141 mil hectares.
Outro uso da terra que cresceu no período foi a silvicultura. A área destinada ao cultivo de espécies florestais aumentou 3,8 milhões de hectares desde 1985 e chegou a 4,9 milhões de hectares em 2025. Metade da área de silvicultura identificada no Brasil estava dentro da Mata Atlântica, com Paraná e Santa Catarina concentrando 46% desse total.
Segundo o MapBiomas, a regeneração das áreas degradadas representa uma parcela importante da recuperação da cobertura vegetal do bioma. Ao mesmo tempo, o levantamento aponta que a manutenção dessas áreas depende da redução de novas perdas tanto de vegetação madura quanto das áreas que estão em processo de recuperação.







