Avaliações técnicas realizadas em poços rurais profundos nas bacias dos rios Taquari-Antas e Baixo Jacuí, regiões fortemente afetadas pelas enchentes de maio de 2024, indicam potenciais riscos à água consumida por famílias rurais do Rio Grande do Sul.
O levantamento foi feito em 17 municípios, entre eles Bom Retiro do Sul, Carlos Barbosa, Arroio do Meio e Estrela, como parte do programa Recupera Rural RS, conduzido pela Embrapa em parceria com a Emater/RS-ASCAR em outubro de 2025.
Os relatórios detalham a presença de contaminações microbiológicas e químicas em algumas amostras de água subterrânea. Entre os agentes detectados estão Salmonella spp, Toxoplasma gondii, uma cepa de Escherichia coli e níveis elevados de fluoreto e nitrato.

Segundo Alexandre Matthiensen, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, a detecção ocorreu antes da aplicação de cloro nos sistemas de abastecimento, presente na maioria dos poços analisados. “Isso significa que muitos desses organismos são eliminados quando a água passa pelo processo de cloração”, afirmou.
Com base nos resultados, cada produtor recebeu um relatório detalhando a situação de seu poço, acompanhado de orientações práticas, como cloração, fervura da água e proteção dos poços, além de recomendações para vigilância sanitária
As análises seguiram parâmetros técnicos e legais definidos pela Portaria GM/MS Nº 888/2021, que estabelece padrões de potabilidade para consumo humano, e pela Resolução CONAMA Nº 396/2008, voltada ao enquadramento ambiental das águas subterrâneas.

Conforme o pesquisador, enquanto a portaria do Ministério da Saúde define os limites para uso humano, a norma ambiental do CONAMA serve como referência para proteção do aquífero.
Além do consumo humano, os relatórios também consideraram critérios de potabilidade para dessedentação animal, fundamentados em literatura técnica complementar, reforçando a abrangência das recomendações para a comunidade rural.







