O aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial, conhecido como El Niño, voltou ao centro das atenções de meteorologistas e do setor produtivo diante de novas projeções que indicam maior probabilidade de ocorrência do fenômeno ao longo de 2026.
Integrante do sistema climático ENOS (El Niño-Oscilação Sul), o evento resulta de alterações tanto oceânicas quanto atmosféricas e pode provocar impactos significativos no regime de chuvas e nas temperaturas em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil.
El Niño em 2026

Caracterizado pelo aumento persistente da temperatura da superfície do mar, geralmente acima de 0,5°C em relação à média, o El Niño não possui duração fixa e pode se estender por mais de um ano. A formação do fenômeno está diretamente ligada ao enfraquecimento ou à inversão dos ventos alísios, responsáveis por deslocar águas superficiais no Pacífico. Quando esse mecanismo falha, as águas quentes permanecem concentradas na superfície, intensificando o aquecimento.
De acordo com as projeções mais recentes do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), divulgadas em 20 de abril, o cenário atual é de neutralidade climática no Pacífico equatorial, após o fim de um episódio de La Niña.
No Brasil, os efeitos do fenômeno costumam ocorrer de forma desigual entre as regiões. Enquanto áreas do Norte e do Nordeste tendem a enfrentar redução das chuvas e aumento dos períodos de estiagem, o Sul do país geralmente registra volumes acima da média, o que também traz desafios.
Agricultura

A agricultura está entre os setores mais vulneráveis a essas alterações climáticas. Nas regiões mais suscetíveis à seca, a diminuição das precipitações pode comprometer o desenvolvimento das lavouras, sobretudo em sistemas de sequeiro, além de reduzir a disponibilidade de água. Já no Sul, o excesso de chuvas pode dificultar o manejo no campo, prejudicar o solo e favorecer o surgimento de doenças nas culturas.
Cultivos de inverno, como os cereais produzidos na Região Sul, são particularmente afetados durante períodos de maior umidade, especialmente entre setembro e outubro. Nessas condições, fases importantes do desenvolvimento das plantas, como floração e enchimento de grãos, podem ser comprometidas, com reflexos diretos na produtividade e na qualidade da produção.
Para a safra de verão, os impactos também exigem atenção. Em regiões onde o El Niño reduz as chuvas, há maior risco de veranicos durante a primavera e o início do verão, o que pode atrasar o plantio e prejudicar o crescimento inicial de culturas como soja e milho.







