O avanço do milho segunda safra no Brasil ocorre sob influência de condições climáticas desafiadoras, marcadas pela irregularidade das chuvas e pela persistência de temperaturas elevadas.
Esse cenário tem impactado diretamente o desenvolvimento das lavouras em diferentes regiões produtoras.
Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apesar das dificuldades pontuais, as condições gerais ainda permitem o manejo adequado da cultura na maior parte do país, embora a distribuição irregular das precipitações já traga reflexos em alguns estados.
Avanço do milho segunda safra

Entre os principais polos produtores, Goiás e Mato Grosso do Sul apresentam comportamentos distintos diante das condições climáticas recentes.
No Mato Grosso do Sul, as chuvas ocorreram de forma irregular e, em alguns momentos, dificultaram a finalização do plantio em áreas remanescentes. Mesmo com desenvolvimento considerado satisfatório em boa parte das lavouras, produtores enfrentam aumento na pressão de pragas, especialmente lagartas do gênero Spodoptera e a lagarta-do-cartucho, o que exige reforço nas estratégias de manejo.
A situação é mais sensível nas regiões sudoeste e sul do estado, onde a combinação de calor e baixos volumes de chuva tem reduzido a umidade do solo. Em Dourados, dados do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária apontam déficit hídrico persistente ao longo do ciclo, com impactos no potencial produtivo da cultura.
Em Goiás, a umidade acumulada no solo ainda sustenta o desenvolvimento do milho segunda safra em grande parte do estado, mesmo com a redução recente das chuvas. No entanto, há sinais de deterioração das condições, principalmente nas regiões Sul e Leste, onde a menor precipitação associada a temperaturas mais altas acelera a perda de água do solo.
O momento é crítico, já que muitas lavouras estão nas fases de floração e enchimento de grãos, etapas que demandam maior disponibilidade hídrica. Em Rio Verde, estimativas do SISDAGRO indicam agravamento do déficit hídrico desde março, com perda estimada de 52,6% no potencial produtivo.
Previsão do tempo

A tendência para os próximos dias reforça o cenário de atenção. A previsão para o período entre o fim de abril e início de maio indica distribuição irregular das chuvas na região Centro-Oeste.
Os maiores volumes devem se concentrar em áreas do noroeste e oeste de Mato Grosso e no centro-sul de Mato Grosso do Sul, enquanto outras regiões podem registrar acumulados inferiores a 40 mm, com possibilidade de volumes muito baixos ou até ausência de precipitação em partes de Goiás e do Distrito Federal.







