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União Europeia confirma veto à carne, mel, peixe e tripas do Brasil

Decisão entra em vigor em setembro e afeta exportações de produtos de origem animal.

Por Dinake Núbia
Publicado em 06/06/2026 às 16:49
União Europeia confirma veto à carne, mel, peixe e tripas do Brasil

Foto: Envato

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A União Europeia confirmou oficialmente a suspensão das importações de carne, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil.

A medida foi publicada nesta sexta-feira (5) no Diário Oficial do bloco europeu e passa a valer a partir de 3 de setembro.

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A decisão havia sido anunciada preliminarmente há cerca de um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

Agora, com a publicação oficial, o Brasil deixa a lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países membros do bloco.

Segundo a Comissão Europeia, o principal motivo para a restrição está relacionado às exigências sanitárias adotadas pelo bloco. As autoridades europeias afirmam que o Brasil ainda não apresentou garantias suficientes de que toda a cadeia produtiva animal está livre do uso de determinados medicamentos antimicrobianos utilizados para prevenção e tratamento de infecções em animais.

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Foto: Envato

Exigências envolvem rastreabilidade e controle sanitário

A medida faz parte da política europeia conhecida como One Health, que busca reduzir o uso excessivo de antibióticos e combater a resistência antimicrobiana em humanos e animais.

Entre as substâncias restritas pela União Europeia estão medicamentos como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

Embora o governo brasileiro tenha proibido, em abril deste ano, parte dos antimicrobianos utilizados para estimular o crescimento animal, a Comissão Europeia avaliou que ainda são necessárias garantias adicionais para comprovar o cumprimento integral das regras.

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Especialistas destacam que a decisão não significa que os produtos brasileiros estejam contaminados. O impasse está relacionado principalmente à comprovação documental, rastreabilidade sanitária e certificação dos processos produtivos.

A União Europeia é considerada um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No segmento da carne bovina, por exemplo, o bloco figura entre os maiores destinos das exportações do país em valor agregado.

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Foto: Giovanna Curado/ Governo de Goiás

Brasil precisará comprovar adequação às regras europeias

Para recuperar a autorização de exportação, o Brasil deverá demonstrar que atende integralmente às exigências sanitárias europeias durante todo o ciclo de produção dos animais destinados ao mercado europeu.

Entre as alternativas avaliadas estão o endurecimento das restrições ao uso dos medicamentos questionados ou a implantação de mecanismos mais rigorosos de rastreabilidade e monitoramento da cadeia produtiva.

A segunda opção é considerada mais complexa por exigir certificações adicionais, acompanhamento detalhado da produção e aumento dos custos operacionais para produtores e frigoríficos.

Entidades do setor defendem sistema brasileiro

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o Brasil possui um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo e que a carne bovina brasileira atende às exigências sanitárias de mais de 170 países.

Segundo a entidade, o setor privado trabalha em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para desenvolver protocolos capazes de atender às novas exigências europeias, mantendo diálogo técnico permanente com as autoridades do bloco.

Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que acompanha a formalização da medida e acredita que o governo brasileiro conseguirá demonstrar tecnicamente a eficiência dos sistemas nacionais de controle sanitário, rastreabilidade e segurança alimentar.

Em nota, a entidade ressaltou que o veto não foi motivado por problemas sanitários identificados nos produtos brasileiros, mas por divergências relacionadas ao reconhecimento dos mecanismos oficiais de fiscalização adotados pelo país.

A ABPA também defendeu que normas sanitárias internacionais sejam baseadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas globalmente e nos princípios estabelecidos por organismos internacionais ligados à saúde animal e ao comércio.

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*Com informações da Agência Brasil

Tags: BrasilCarne bovinaexportaçãoUnião Europeiaveto

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