A expectativa de uma safra recorde de grãos continua sustentando os preços dos fretes agrícolas em importantes corredores logísticos do Brasil.
A avaliação consta no Boletim Logístico de junho, divulgado nesta terça-feira (30) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que aponta a manutenção do aquecimento do mercado de fretes, mesmo após o encerramento do período de maior intensidade da colheita da soja.
Fretes agrícolas

Segundo a Conab, o comportamento do mercado contraria o padrão normalmente observado nesta época do ano, quando a redução do escoamento da primeira safra costuma provocar queda nos valores dos fretes.
Desta vez, no entanto, a demanda permaneceu elevada, impulsionada pela produção recorde de soja, que cresceu 8,8 milhões de toneladas em relação à safra anterior.
Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, os fretes registraram pequenas oscilações em comparação com o mês anterior, mas permaneceram em níveis elevados.
No Distrito Federal, os preços apresentaram alta moderada durante maio, influenciados pelo custo do diesel e pela continuidade do transporte das safras de soja e milho do Centro-Oeste. No Maranhão, a Conab também verificou aumento nos fretes. No estado, a colheita da soja alcançou 92% da área cultivada, enquanto o milho chegou a 27%, elevando a movimentação de cargas destinadas ao mercado interno e às exportações pelo Porto do Itaqui.
O Paraná também registrou pressão sobre os custos do transporte em algumas rotas. O cenário foi influenciado pelo preço do diesel S-10 e pela elevada concentração da demanda na malha rodoviária.
Em contrapartida, Goiás e Bahia apresentaram redução temporária na movimentação de fretes. A desaceleração está relacionada ao calendário agrícola, marcado pelo encerramento da colheita da soja e pelo intervalo até a intensificação da comercialização do milho de segunda safra.
No Piauí, houve recuo nos preços dos fretes em relação a abril, reflexo da redução das exportações de soja, que tiveram queda de 22%, equivalente a cerca de 64 mil toneladas. Em São Paulo, os valores também diminuíram após as altas registradas no início do ano, favorecidos pela redução do custo do diesel e pelo enfraquecimento da demanda industrial, apesar da continuidade do bom desempenho do agronegócio.
Exportações

Portanto, as exportações de soja alcançaram 55,1 milhões de toneladas no acumulado até maio. Os portos do Arco Norte lideraram o escoamento, com 38,5% do total, seguidos por Santos, responsável por 36,8% dos embarques nacionais. Paranaguá participou com 14,2% e São Francisco do Sul respondeu por 4,5% do volume exportado.







