Produtores de melancia de Uruana, em Goiás, enfrentam em 2026 um novo surto de viroses que já provocou perdas de até 100% em algumas lavouras de melancia.
Diante do avanço da doença, agricultores buscaram o apoio de pesquisadores da Embrapa Hortaliças para identificar o agente causador e definir medidas capazes de reduzir os impactos sobre a produção.
Lavoura de melancia

O problema não é novo na região. A cultura da melancia já passou por outros períodos de forte incidência de viroses, com reflexos também sobre a cadeia produtiva. Um dos principais episódios ocorreu em 2013, quando a ocorrência de tospovírus transmitidos por tripes afetou os cultivos.
O surto deste ano, porém, apresenta uma característica diferente. As análises realizadas até o momento apontam para uma possível espécie exótica de tospovírus, ainda não registrada no país.
A investigação começou a partir da coleta de folhas de melancia que apresentavam sintomas como mosaico e clorose intensa em propriedades de Uruana e Santa Fé de Goiás. O material foi submetido ao Sequenciamento de Alto Rendimento (HTS), técnica que permite analisar o conteúdo genético presente nas amostras e auxiliar na identificação de organismos associados às plantas doentes.
O trabalho envolve pesquisadores da Embrapa Hortaliças e contou com a colaboração do professor Tatsuya Nagata, da Universidade de Brasília (UnB). Visitas técnicas foram realizadas em maio e novamente nos dias 9 e 10 de setembro, com participação das pesquisadoras Mônica Macedo, da área de Virologia Vegetal, e Mirtes Lima.
Durante uma mesa-redonda com produtores da região, foram discutidas estratégias para reduzir a disseminação da doença enquanto a identificação definitiva do vírus é conduzida. As tratativas relacionadas à confirmação da espécie seguem em andamento junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Medidas de manejo

A orientação dos pesquisadores é que os produtores adotem um conjunto de medidas para diminuir a presença do vírus e do inseto responsável pela transmissão. Uma das principais recomendações é retirar e destruir os restos de plantios antigos logo após a colheita, reduzindo possíveis fontes de infecção para novos cultivos.
Também é indicado eliminar plantas voluntárias de melancia, conhecidas como tigueras, e manter o entorno das áreas cultivadas livre de plantas daninhas que possam funcionar como abrigo tanto para o vírus quanto para o tripes.
O controle do inseto vetor também faz parte das estratégias recomendadas. Entre as alternativas estão o uso de barreiras físicas, como lonas adesivas instaladas nas bordaduras das lavouras, além do controle químico realizado de forma adequada.
Outra medida apontada é o cumprimento do vazio sanitário, período em que o cultivo de determinadas espécies fica suspenso para interromper o ciclo de pragas e doenças. A adoção conjunta dessas práticas pode ajudar a reduzir a pressão da doença sobre os próximos plantios.
Com informações da Embrapa.







