Com raízes na cultura dos povos indígenas, o piracuí é um alimento tradicional produzido a partir da desidratação da carne de peixe.
O nome tem origem na língua tupi, em que pira significa peixe e cuí, farinha. O produto é amplamente consumido na Região Norte e representa uma forma de conservação e aproveitamento do pescado.
Saiba o que é o alimento piracuí

A produção artesanal utiliza, em geral, exemplares da espécie bodó, também conhecida como acari-bodó (Liposarcus pardalis). O processo tem início com o cozimento ou assamento do peixe fresco.
Após essa etapa, a carne é separada da carcaça e das espinhas, sendo posteriormente submetida à secagem em tachos de barro ou fornos abertos. Durante o preparo, é adicionada uma quantidade de sal para auxiliar na conservação. Ao final, o produto é resfriado naturalmente até atingir a consistência característica da farinha.
No Pará, as normas para a fabricação do piracuí são estabelecidas pela Portaria nº 3.250/2018, da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará). A regulamentação determina que a matéria-prima, fresca ou congelada, passe por higienização com água hiperclorada antes do preparo, seguida do cozimento ou assamento em condições controladas de tempo e temperatura.
Modo de preparo

Após o cozimento, a carne é retirada da carcaça e das espinhas e encaminhada para a etapa de secagem, realizada em temperatura adequada para garantir as características do produto final. O regulamento também estabelece que o piracuí deve ser armazenado em temperatura ambiente e atender aos padrões microbiológicos exigidos para o consumo.
Além de preservar um método tradicional de processamento do pescado, o piracuí também contribui para ampliar a durabilidade do alimento e reduzir perdas, mantendo uma prática que atravessa gerações na região amazônica.







