O mercado internacional de carne bovina brasileira passa por mudanças em meio a restrições comerciais na China e na União Europeia.
Enquanto o setor aguarda a liberação de uma nova cota chinesa para retomar os embarques em maior volume, ainda não há perspectiva de curto prazo para a retomada das vendas ao mercado europeu.
Mercado internacional de carne bovina brasileira

O cenário foi discutido nesta quarta-feira (14), durante reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, no Paraná. Apesar das limitações, o Brasil manteve o crescimento da receita com exportações, impulsionado pela valorização do produto no mercado externo.
De janeiro a setembro de 2026, o país exportou 2,11 milhões de toneladas de carne bovina e faturou US$ 12,97 bilhões. O volume recuou 1,5% em relação ao mesmo período de 2025, mas a receita aumentou 14,1%. O preço médio da carne brasileira avançou 15,9%.
A China, principal compradora do produto brasileiro, reduziu significativamente as aquisições após o preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas, atingida em agosto. Em setembro, os embarques para o país caíram 94,2% na comparação anual. A expectativa apresentada durante a reunião era de retomada das compras até o fim de outubro, com a abertura de uma nova cota.
Já as exportações para a União Europeia enfrentam restrições relacionadas ao uso de antimicrobianos. Segundo Rafael Lima Filho, especialista da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), não há previsão de reversão da medida no curto ou médio prazo, uma vez que os estabelecimentos precisam cumprir protocolos específicos para voltar a fornecer ao bloco.
Estados Unidos ampliam participação nas compras

Com as limitações impostas por importantes compradores, parte da carne que seria destinada à China e à União Europeia foi direcionada aos Estados Unidos. Em setembro, o mercado norte-americano respondeu por 21,5% dos embarques brasileiros. No acumulado de janeiro a setembro, as vendas para o país cresceram 45% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Outro fator que favorece esse fluxo é a abertura de uma cota adicional de 300 mil toneladas de carne magra pelos Estados Unidos, válida entre setembro e novembro de 2026.
Durante a reunião, também foram apontadas possibilidades de ampliar as vendas para mercados como Japão, Coreia do Sul, Indonésia, Filipinas e Vietnã. A diversificação é vista como uma forma de reduzir a dependência de poucos compradores e diminuir os impactos de eventuais barreiras comerciais.
No Paraná, a estratégia envolve ampliar a participação em segmentos de maior valor agregado, com carnes de qualidade diferenciada. Segundo o presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte, Rodolfo Botelho, o estado precisa aumentar o número de empresas habilitadas para exportar e garantir regularidade no fornecimento.
Embora a União Europeia não concentre grandes volumes de compra, o mercado é considerado estratégico pelo valor pago e pelas exigências sanitárias e de rastreabilidade, que também podem facilitar o acesso a outros destinos. Atualmente, apenas 11 propriedades paranaenses estão habilitadas a exportar para o bloco, conforme dados do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov).







