O início da colheita da soja já provoca reflexos no mercado de transporte de grãos, com aumento nas cotações do frete em diversas regiões produtoras.
A movimentação ocorre em meio à expectativa de safra recorde, estimada em 178 milhões de toneladas, o que amplia a necessidade de retirada do grão das propriedades e intensifica, simultaneamente, o escoamento do milho para liberar espaço nos armazéns.
Colheita da soja e transporte de grãos

De acordo com o mais recente Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o primeiro mês do ano já apresentou pressão de alta nos preços em estados estratégicos para a produção agrícola.
Em Mato Grosso, principal produtor nacional, a colheita avançou de forma significativa em janeiro, alcançando cerca de um terço da área cultivada. A expectativa é de que fevereiro concentre volume ainda mais expressivo, próximo de 50 milhões de toneladas.
Além disso, a permanência de estoques de milho da safra anterior contribuiu para ampliar a demanda por transporte, elevando as tarifas.
Em Mato Grosso do Sul, o mercado também registrou procura consistente por serviços de frete, impulsionada tanto pelos embarques para exportação quanto pela retomada das negociações no mercado interno. No Distrito Federal, as cotações subiram em janeiro na comparação com dezembro, cenário associado ao aumento de custos operacionais e a uma demanda tradicionalmente mais aquecida neste período.
No Piauí, a movimentação foi mais limitada, refletindo a redução no escoamento de milho e soja. Ainda assim, o início da colheita da nova safra já começa a impactar os valores praticados. Nas principais rotas do estado, a média de preços ficou cerca de 15% acima do observado em dezembro.
Oscilações nas tarifas e embarques

O Paraná apresentou comportamento distinto, com oscilações nas tarifas conforme as características de cada rota e a disponibilidade de cargas de retorno. Já em Goiás, o ritmo mais lento da colheita manteve o mercado com intensidade moderada em janeiro.
Aproximadamente 70% das lavouras estavam nas fases finais de desenvolvimento, enquanto a colheita atingia apenas 2% da área. A comercialização também ficou abaixo da registrada na safra anterior. No entanto, a combinação de alta produtividade e concentração da colheita prevista para a segunda quinzena de fevereiro pode elevar a pressão sobre os preços logísticos no curto prazo.
Na Bahia e no Maranhão, as tarifas permaneceram estáveis nas principais regiões produtoras. No território baiano, o cenário foi influenciado pela redução dos estoques e pelos preços menos atrativos da soja, sobretudo no oeste do estado.
Já os embarques de milho somaram 4,2 milhões de toneladas em janeiro, volume superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O Arco Norte concentrou 44,7% das exportações do cereal. Entre os portos individuais, o Porto de Santos respondeu por 36,9% da movimentação, enquanto o Porto de Paranaguá participou com 10,4% e o Porto de São Francisco do Sul com 1,4%.
No caso da soja, as exportações atingiram 1,8 milhão de toneladas no primeiro mês do ano. O Porto de Santos liderou os embarques, com 35,3% do volume nacional. Paranaguá respondeu por 34%, os portos do Arco Norte por 25,3% e São Francisco do Sul por 5,4% do total exportado.







