Uma planta medicinal conhecida por propriedades medicinais pode abrir novas possibilidades para a aquicultura brasileira
Pesquisa recente indica que a inclusão de Artemisia annua na alimentação da tilápia-do-Nilo contribui para melhorar o desempenho produtivo e as condições de saúde dos peixes em sistemas tropicais de cultivo em tanques-rede.
Planta medicinal na aquicultura brasileira

De acordo a Embrapa e com os dados do estudo, a suplementação alimentar resultou em maior ganho de peso e melhor conversão alimentar, indicador que mede a quantidade de ração necessária para o crescimento dos animais.
Na prática, os peixes apresentaram desenvolvimento superior consumindo menos alimento, o que pode impactar diretamente os custos de produção.
Os efeitos positivos estão associados à presença de compostos bioativos da planta, que favorecem a digestão e o aproveitamento dos nutrientes. Também foram observados indícios de melhora na fisiologia intestinal, fator que contribui para o crescimento mais eficiente.
Além do desempenho produtivo, a pesquisa identificou avanços na saúde dos peixes. A suplementação esteve ligada ao fortalecimento do sistema imunológico e à redução de sinais de estresse fisiológico, aspectos considerados relevantes em sistemas intensivos, onde os animais ficam mais expostos a variações ambientais e agentes patogênicos.

Outro ponto observado foi o impacto sobre a microbiota intestinal. Compostos presentes na Artemisia annua demonstraram capacidade de inibir microrganismos prejudiciais e estimular bactérias benéficas, promovendo equilíbrio no ambiente intestinal. Esse processo influencia diretamente a absorção de nutrientes e o metabolismo dos peixes.
A planta também apresenta propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, que ajudam a minimizar danos celulares e contribuem para melhores condições gerais de desenvolvimento.
O estudo foi conduzido em condições típicas de cultivo tropical em tanques-rede, modelo amplamente utilizado no país. Nesse sistema, desafios relacionados ao estresse e à sanidade são mais intensos, o que reforça a importância de estratégias nutricionais mais eficientes.
Diante dos resultados, o uso de aditivos naturais à base de plantas medicinais aparece como alternativa ao emprego de produtos sintéticos e antibióticos, acompanhando a busca por sistemas de produção mais sustentáveis e alinhados às exigências do mercado consumidor.







