Os alertas de desmatamento no Cerrado atingiram 238 km² em agosto de 2026, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O volume representa uma queda de 18,9% em relação aos 294 km² registrados no mesmo mês de 2025 e é o segundo menor resultado para agosto desde o início da série histórica do sistema, em 2018.
Alertas de desmatamento

No acumulado entre junho e agosto, o Cerrado também apresentou redução. Foram identificados 1.150 km² sob alerta, ante 1.266 km² no mesmo período do ano passado, uma retração de 9,2%.
Em agosto, o Maranhão concentrou a maior parcela da área identificada pelo Deter no bioma, com 36,5% do total. Na sequência aparecem Mato Grosso, com 15,5%, Tocantins, com 14,9%, Minas Gerais, com 8,3%, e Piauí, com 8,2%.
Na Amazônia, o movimento foi diferente. Os alertas alcançaram 358 km² em agosto, alta de 12,1% na comparação com os 319 km² registrados no mesmo mês de 2025. Apesar do avanço, o resultado é o terceiro menor para agosto desde o início da série do Deter para a Amazônia, em 2016.
O Pará foi o principal responsável pelo aumento. A área sob alerta no estado passou de 74 km² em agosto do ano passado para 155 km² neste ano, crescimento de 109,4%. Parte da elevação está relacionada à interrupção do apoio da Polícia Militar do Pará a operações de fiscalização planejadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em unidades de conservação no leste do estado.
Segundo o governo federal, a região vinha apresentando aumento das derrubadas. Diante do cenário, os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Justiça e Segurança Pública anunciaram uma força-tarefa para reforçar a fiscalização nos próximos dias. A ação deve envolver ICMBio, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança Pública.
Nos demais estados amazônicos, os resultados foram de estabilidade ou queda. O Amazonas passou de 71 km² para 75 km², enquanto Mato Grosso reduziu os alertas de 98 km² para 58 km². No Acre, houve alta de 32 km² para 37 km².
Quando considerado o trimestre de junho a agosto, a Amazônia registrou 1.044 km² sob alerta, uma redução de 20,4% em relação aos 1.312 km² contabilizados no mesmo intervalo de 2025. O Pará respondeu por 43,3% da área identificada no período, seguido por Amazonas, com 20,9%, Mato Grosso, com 16,2%, e Acre, com 10,3%.
Para o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a análise de períodos mais longos é mais adequada para avaliar o comportamento do desmatamento. Segundo ele, os dados trimestrais apontam continuidade da redução nos dois biomas, embora o aumento registrado na Amazônia em agosto exija atenção, principalmente pela concentração dos alertas no Pará.
Fiscalização

Entre 2023 e 2026, o Ibama informou ter ampliado em 63% o número de ações de fiscalização, que chegaram a 68 mil. No mesmo período, os autos de infração cresceram 71%, para 23 mil. As multas aplicadas somaram R$ 10,3 bilhões e os embargos alcançaram uma área de 20.331 km².
Também houve redução de 41% na área desmatada para atividades de garimpo no período. No ICMBio, foram registrados 3.364 autos de fiscalização em 2025, alta de 23% em relação ao ano anterior. A área embargada pelo órgão chegou a 195.631 hectares, crescimento de 169%.
Outra iniciativa citada pelo governo é o Programa União com Municípios, que prevê R$ 800 milhões para ações em cidades consideradas prioritárias. Nos 80 municípios contemplados, os dados do Deter apontaram redução de 42,3% no desmatamento em 2026 na comparação com 2025.







