O fenômeno El Niño voltou a atuar no Oceano Pacífico Equatorial e deve se intensificar ao longo dos próximos meses, com possibilidade de atingir forte intensidade durante a primavera no Hemisfério Sul.
A avaliação foi divulgada nesta quinta-feira (11) pelo Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Previsão do El Niño para os próximos meses

Dados de monitoramento mostram que o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial se consolidou no início de junho.
O indicador utilizado para acompanhar o fenômeno alcançou níveis compatíveis com a configuração do El Niño, enquanto outras áreas do oceano registraram temperaturas acima da média histórica.
As projeções ainda indicam que o fenômeno poderá continuar ganhando força até o verão de 2026/2027. Modelos internacionais apontam, inclusive, a possibilidade de um episódio muito intenso entre os meses de novembro e janeiro, cenário que poderia colocá-lo entre os mais fortes observados nas últimas décadas.

No Brasil, os efeitos costumam variar de acordo com a região. Historicamente, o El Niño está associado à diminuição das chuvas em partes do Norte e do Nordeste, favorecendo períodos de estiagem e reduzindo a disponibilidade de água.
Já na Região Sul, a tendência é de aumento das precipitações, elevando o risco de temporais, enchentes e transbordamento de rios.
Especialistas ressaltam, no entanto, que os impactos não ocorrem de forma uniforme em todo o território nacional. Apesar disso, quanto maior a intensidade do fenômeno, maior costuma ser sua influência sobre os padrões de temperatura e chuva, ampliando a probabilidade de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do país.
Impactos
O retorno do El Niño pode trazer impactos importantes para o agronegócio brasileiro. O fenômeno costuma reduzir as chuvas no Norte e Nordeste, aumentando o risco de estiagens e prejudicando lavouras e pastagens. No Centro-Oeste, pode provocar irregularidade nas precipitações e dificultar o desenvolvimento de culturas como soja e milho em algumas áreas.
Já no Sul, a tendência é de chuvas acima da média, o que pode favorecer algumas culturas, mas também elevar o risco de alagamentos, atrasos no plantio e na colheita e aumento de doenças nas lavouras. Na pecuária, períodos mais quentes e secos podem reduzir a qualidade das pastagens e aumentar os custos de produção. Além disso, os efeitos do fenômeno podem influenciar a oferta de produtos agrícolas e provocar oscilações nos preços das commodities.







