A redução das chuvas observada nos últimos meses na Amazônia tem sido associada à atuação do fenômeno El Niño e ao aquecimento acima do normal das águas do Atlântico Tropical Norte.
A combinação desses fatores contribuiu para o aumento da estiagem em diversas áreas da região, especialmente nas porções centro e norte.
Redução das chuvas na Amazônia

Com base nos dados meteorológicos do Inmet, os volumes de chuva registrados entre junho e agosto ficaram abaixo da média histórica. Em Manaus (AM), o acumulado no período foi de 130,9 milímetros, enquanto a média climatológica é de 202,2 milímetros.
O cenário de escassez de precipitações também foi observado em setembro. Na capital paraense, o volume acumulado chegou a 32,7 milímetros, equivalente a apenas 27% da média esperada para o mês. O resultado representa o segundo setembro mais seco desde o início da série histórica, em 1961. Em Manaus, foram registrados 44,1 milímetros, valor cerca de 35 milímetros inferior à média mensal.
Especialistas apontam que, desde meados de 2023, o Oceano Pacífico Equatorial apresenta características típicas do El Niño, com temperaturas da superfície do mar significativamente mais elevadas. Ao mesmo tempo, o Atlântico Tropical Norte também registra aquecimento acima dos padrões históricos, intensificando os efeitos sobre o clima da América do Sul.
A comparação com episódios anteriores de seca na Amazônia mostra semelhanças com os anos de 2005, 2010 e 2015. No entanto, a atual configuração climática chama atenção pela intensidade do aquecimento observada no Atlântico Norte, considerada superior à registrada em 2015, enquanto as condições no Pacífico apresentam força semelhante à daquele período.
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EL Niño

As projeções climáticas indicam que o El Niño deve permanecer ativo até o outono de 2024. Modelos internacionais apontam a possibilidade de manutenção do fenômeno com intensidade moderada a forte, com pico previsto para o fim de 2023. Além disso, a tendência é de continuidade das águas mais quentes que o normal no Atlântico Tropical Norte.
Para os próximos meses, a previsão aponta maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul e em áreas de Mato Grosso do Sul e São Paulo, padrão característico durante eventos de El Niño.
Já na faixa central do país, o período será marcado por condições de transição, com possibilidade de episódios isolados de chuva mais intensa, embora a tendência indique redução das precipitações em áreas mais ao norte ao longo do trimestre. As temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do território brasileiro.







