A Embrapa Suínos e Aves (SC) apresenta esta semana a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS), uma ferramenta inovadora que reúne e analisa dados sanitários de granjas de todo o País.
O objetivo é apoiar decisões estratégicas, fortalecer a vigilância epidemiológica, aprimorar a biosseguridade, controlar doenças e ampliar a sustentabilidade da suinocultura nacional.
Ferramenta inovadora

Santa Catarina, onde está localizada a unidade da Embrapa, lidera a produção e exportação de suínos no Brasil. Em 2024, o estado registrou um recorde histórico de 17,97 milhões de suínos abatidos, reforçando a importância de iniciativas que garantam a sanidade dos rebanhos e a produtividade do setor.
Entre os principais desafios da suinocultura estão as Doenças do Complexo Respiratório Suíno (PRDC), que afetam o crescimento dos animais, aumentam a mortalidade, geram condenação de carcaças e elevam o uso de antibióticos. O PRDC é causado por fatores multifatoriais, envolvendo vírus e bactérias como influenza suína, PRRSV, circovírus suíno tipo 2 (PCV2) e Mycoplasma hyopneumoniae, entre outros.
Desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e laboratórios de diagnóstico veterinário, a CISS também aplica o conceito de Saúde Única, integrando saúde animal, humana e proteção ambiental.
A plataforma consolida dados de milhares de amostras coletadas em granjas de todo o Brasil, permitindo monitorar alterações nos padrões sanitários por faixa etária, região, tipo de amostra e sistema de produção.
Inspirada no Swine Disease Reporting System (SDRS) dos Estados Unidos, a CISS fornece análises atualizadas e detalhadas para produtores, pesquisadores e órgãos de saúde.
Projeto-piloto

O projeto-piloto da plataforma focou no Mycoplasma hyopneumoniae (MHyo), agente da pneumonia enzoótica suína, com 253.674 amostras analisadas entre 2019 e 2025, gerando 10.821 registros.
Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul lideraram as submissões. Em 2022, o maior índice de positividade ocorreu no primeiro semestre, com pico de 38% em maio, reforçando a importância do diagnóstico laboratorial para prevenção e controle.
Além disso, estudos recentes apontam elevada incidência do circovírus suíno tipo 2 (PCV2) no período entre 2020 e 2025, com predomínio do genótipo PCV2d, embora coinfecções ainda sejam relevantes.
Com a CISS, a Embrapa consolida uma ferramenta estratégica para garantir a saúde dos rebanhos, apoiar a tomada de decisão e promover uma suinocultura mais eficiente e sustentável em todo o País.







