Após 14 meses em processo de recuperação, uma onça-pintada resgatada ainda filhote em Roraima foi transferida, na última quinta-feira (12), para um mantenedouro de felinos em Goiás, onde continuará a reabilitação em um ambiente mais amplo e adaptado à espécie.
O animal estava no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Brasília, unidade vinculada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
Onça-pintada em recuperação em Goiás

A mudança marca uma nova etapa do tratamento, agora com foco no desenvolvimento de comportamentos naturais essenciais para a vida em liberdade.
A onça foi encontrada em janeiro de 2025, em uma propriedade rural no município de Caroebe, na região sul de Roraima. Com pouco mais de um mês de vida, apresentava quadro de desidratação, além de ferimentos, escoriações e infecções por fungos.
Após o resgate, passou por atendimento inicial no Cetas de Boa Vista, onde recebeu cuidados clínicos, exames laboratoriais e tratamento contra parasitas.
Com a melhora no estado de saúde, foi levada em abril para o Cetas de Brasília, estrutura equipada para receber grandes felinos. Desde então, evoluiu de forma significativa, apresentando ganho de peso e desenvolvimento físico compatíveis com a idade.
Protocolo inédito de reabilitação

De acordo com a equipe responsável, o caso também tem servido de base para a aplicação de um protocolo inédito de reabilitação voltado à espécie. A estratégia inclui etapas de observação, estímulo comportamental e redução gradual do contato com humanos, visando preservar os instintos selvagens.
Atualmente, a onça segue para o Instituto Nex, localizado em Corumbá de Goiás, a cerca de 80 quilômetros de Brasília. No local, o animal será mantido em um recinto maior, inserido em área de mata e com menor interferência humana.
A nova fase da reabilitação deve durar entre seis e oito meses. Nesse período, o objetivo é avaliar com mais profundidade a capacidade do felino de desenvolver comportamentos naturais, como caça e deslocamento autônomo.
Caso apresente condições adequadas, a expectativa é que a onça-pintada possa ser reintegrada ao seu habitat natural, no bioma amazônico, concluindo o processo iniciado ainda nos primeiros dias de vida após o resgate.







