A produção de leite no Brasil atingiu um volume recorde em 2025, com crescimento estimado em 7,2% em relação ao ano anterior.
Mesmo com recuo de 4,2% nas importações na comparação com 2024, o país ainda registrou déficit na balança comercial de aproximadamente 2 bilhões de litros equivalentes, com o leite em pó permanecendo como o principal item importado.
Produção de leite

O aumento simultâneo da produção interna e a entrada de produtos estrangeiros ampliaram a oferta de lácteos no mercado nacional.
Como consequência, os preços pagos ao produtor recuaram de forma contínua a partir de abril. Levantamento do Embrapa Gado de Leite, por meio do Centro de Inteligência do Leite, indica que em dezembro de 2025 o litro do leite foi negociado a R$ 1,99, valor 22,6% inferior ao registrado nos 12 meses anteriores. No varejo, a cesta de derivados lácteos apresentou queda mais moderada, de 3,62%.
No cenário internacional, 2026 começa com oferta elevada de lácteos. Países como Argentina e Uruguai ampliaram a produção entre 7% e 8% em 2025.
Segundo o pesquisador Samuel Oliveira, da Embrapa Gado de Leite, os preços internacionais seguem em patamar reduzido no início do ano. Ele avalia que eventuais altas observadas na Global Dairy Trade, uma das principais plataformas mundiais de negociação de lácteos, representam ajustes pontuais e não indicam uma reversão consistente de tendência.
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Custo para o produtor

Para o produtor, o curto prazo continua desafiador. A elevada oferta reduziu o valor pago ao leite para cerca de US$ 0,36 por quilo. Ainda assim, o mercado spot, de negociações à vista, começou a mostrar sinais de reação, sugerindo um possível ajuste gradual. Por outro lado, a recente valorização do real frente ao dólar pode tornar os produtos importados mais competitivos nos próximos meses.
Há também fatores que ajudam a sustentar a renda no campo. A valorização de bezerras e da arroba do boi abre espaço para ganhos extras com a venda de animais, enquanto a aproximação da entressafra tende a influenciar positivamente a formação de preços. No mercado europeu, o novo acordo entre blocos não deve provocar mudanças imediatas relevantes.
A recomendação para 2026 é de planejamento e cautela. Especialistas apontam que a competitividade dependerá de ganhos de produtividade, controle de custos e agregação de valor.







