A distribuição irregular das chuvas no Centro-Oeste deve influenciar o ritmo do plantio da soja na safra 2026/2027 ao longo desta semana. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), elaborada com base no modelo COSMO, indica volumes variados de precipitação entre 14 e 21 de outubro.
O cenário exige atenção dos produtores, principalmente nas áreas onde a umidade do solo ainda é insuficiente para garantir a germinação e a emergência uniformes das plantas.
Plantio da soja na safra 26/27

Foto: Envato
Em Mato Grosso, a previsão é de chuva acumulada entre 20 e 60 milímetros, com volumes maiores nas regiões sudoeste e noroeste. Apesar da expectativa de aumento da umidade do solo nessas áreas, a disponibilidade de água permanece desigual no estado, especialmente no norte e no leste. As temperaturas devem oscilar entre 26°C e 30°C, condição que aumenta a perda de água para a atmosfera.
Nesse cenário, o avanço da semeadura depende das condições de umidade de cada região. Onde a reserva hídrica é menor, chuvas isoladas podem não ser suficientes para sustentar o processo de germinação e o desenvolvimento inicial das plantas. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que 25,2% da área prevista para o cultivo de soja em Mato Grosso havia sido semeada até 9 de outubro.
Em Mato Grosso do Sul, a perspectiva é de maior disponibilidade hídrica, mas o volume de precipitação também pode interferir no andamento dos trabalhos no campo. A presença de áreas de baixa pressão e a umidade elevada na atmosfera devem manter o tempo instável, principalmente no centro-sul do estado.
Para os dias 14 e 15 de outubro, está previsto aviso laranja de perigo para tempestades, com possibilidade de chuva entre 50 e 100 milímetros por dia e queda de granizo. No decorrer da semana, os acumulados devem ficar entre 40 e 80 milímetros, podendo chegar a 100 milímetros em pontos do norte e do sul sul-mato-grossense.
As temperaturas tendem a ficar mais amenas, sobretudo no sul, com médias entre 18°C e 24°C. Nas principais áreas produtoras, o armazenamento de água no solo está estimado entre 60% e 90% da capacidade, favorecendo o estabelecimento das lavouras. Por outro lado, a continuidade das chuvas pode dificultar temporariamente a entrada de máquinas nas áreas de cultivo.
Goiás e Distrito Federal

Em Goiás e no Distrito Federal, os volumes previstos são menores, entre 10 e 40 milímetros, com maior concentração de chuva em áreas do leste e do sul goiano. O calor deve persistir, especialmente no norte de Goiás, elevando a demanda de água pelas condições atmosféricas.
A previsão para o armazenamento hídrico do solo varia entre 20% e 50% da capacidade de água disponível. No norte goiano, porém, os índices podem ficar abaixo de 15%. Embora as precipitações possam melhorar as condições para o plantio, a distribuição irregular da chuva ainda representa um fator de risco para a expansão da semeadura em áreas de sequeiro, que dependem da água das chuvas.
Segundo a Conab, Goiás havia semeado 7% da área projetada até 9 de outubro. O resultado está abaixo da média dos últimos cinco anos, de 8,6%.
As diferenças nas condições meteorológicas entre os estados indicam que o ritmo do plantio deve depender da disponibilidade de água em cada área produtora. Além dos volumes de chuva previstos, a regularidade das precipitações e a umidade presente na camada superficial do solo são fatores importantes para orientar o início ou a continuidade da semeadura.
Em locais com pouca água disponível e temperaturas elevadas, a chuva pode desencadear a germinação sem garantir condições para a emergência uniforme das plantas. Por isso, o acompanhamento das previsões meteorológicas e dos avisos emitidos pelo Inmet é importante para o planejamento das atividades e a redução de riscos no estabelecimento das lavouras.







