Um levantamento geográfico realizado na Amazônia brasileira identificou cerca de 121 mil hectares destinados ao cultivo de cacau nos estados do Pará e de Rondônia.
O estudo analisou a distribuição da cultura e a evolução das áreas plantadas, com foco nos impactos sobre o território e no uso de áreas que já haviam sido modificadas anteriormente.
Cacau da Amazônia

No Pará, o levantamento foi atualizado com dados de 2024, enquanto Rondônia passou a contar com uma primeira base territorial detalhada sobre a presença da cacauicultura. A análise utilizou sensoriamento remoto, imagens de radar, ferramentas computacionais e verificações em campo.
O cruzamento das informações com dados do TerraClass e do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indica que a expansão do cacau ocorre principalmente em áreas já alteradas. Pastagens e locais ocupados por vegetação secundária estão entre os principais espaços convertidos para a atividade.
Segundo o pesquisador Adriano Venturieri, da Embrapa Amazônia Oriental, o cultivo pode contribuir para recuperar áreas que perderam produtividade e, ao mesmo tempo, gerar renda para famílias rurais.
Produção concentra-se no Norte
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a região Norte responde por aproximadamente metade da produção brasileira de cacau. São cerca de 148 mil toneladas de um total nacional próximo de 297 mil toneladas.
O Pará concentra a maior parte desse volume. O estado produz aproximadamente 137,5 mil toneladas de amêndoas secas, o equivalente a 46% da produção brasileira e a cerca de 92% do total registrado na região Norte.
Tecnologia ajuda a diferenciar áreas de cultivo

A identificação dos cacaueiros em meio à vegetação amazônica representa um desafio para o mapeamento por satélite. Em sistemas onde o cacau é cultivado sob sombra, a cobertura das plantas pode apresentar características semelhantes às de florestas e áreas de vegetação secundária nas imagens.
Para aumentar a precisão, a equipe combinou informações de diferentes satélites e técnicas de análise. Também foram utilizadas imagens com resolução de até 50 centímetros, capazes de registrar detalhes do terreno e auxiliar na identificação de lavouras.
A metodologia permitiu distinguir áreas de cacau cultivadas a pleno sol de sistemas agroflorestais, nos quais a cultura é integrada a outras espécies vegetais.
Os resultados do estudo foram apresentados durante a ExpoCacau 2026, em Ilhéus, na Bahia, evento que reúne produtores, técnicos, empresas e representantes da cadeia produtiva.







