A produção brasileira de cana-de-açúcar deve alcançar 705,2 milhões de toneladas na safra 2026/27. A estimativa representa aumento de 4,7% em relação ao ciclo anterior e consta no segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira (20).
O crescimento esperado está relacionado tanto ao aumento da área destinada à colheita quanto à melhora da produtividade. A área deve chegar a 9,1 milhões de hectares, alta de 1,1%, enquanto o rendimento médio nacional é estimado em 77.905 quilos por hectare, avanço de 3,6%.
Safra de cana-de-açúcar

As condições climáticas ao longo do ciclo têm contribuído para o desenvolvimento das lavouras, segundo a Conab.
O Sudeste continua como principal região produtora, com previsão de 451,4 milhões de toneladas. A área colhida deve chegar a 5,6 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é estimada em 80.872 quilos por hectare. Em São Paulo, a produção deve atingir 362,8 milhões de toneladas.
No Centro-Oeste, segunda maior região produtora do país, a Conab projeta 157 milhões de toneladas, alta de 4,6% sobre a safra anterior. A área deve alcançar 2 milhões de hectares e a produtividade média pode chegar a 78.755 quilos por hectare.
Também são esperados avanços nas regiões Sul e Norte, com produções estimadas em 37,3 milhões e 4,1 milhões de toneladas, respectivamente. No Nordeste, a colheita deve somar 55,5 milhões de toneladas, crescimento de 4,1%. A área prevista é de 923,5 mil hectares, enquanto a produtividade deve ficar em 60.037 quilos por hectare.
Açúcar e etanol

Apesar da maior produção de cana, a fabricação de açúcar deve recuar na próxima safra. A Conab estima 42,89 milhões de toneladas, queda de 2,9% em relação ao ciclo 2025/26.
Em contrapartida, a produção de etanol de cana deve crescer 9,7%, chegando a 29,98 bilhões de litros. O combustível produzido a partir do milho também deve registrar alta. A previsão é de 11,91 bilhões de litros, aumento de 17%.
Somando as duas matérias-primas, a produção brasileira de etanol deve alcançar 41,88 bilhões de litros, 11,7% acima do volume estimado para a safra anterior.
No mercado, os preços do açúcar vêm se recuperando em agosto, em meio às preocupações com a oferta mundial e aos riscos climáticos em áreas produtoras. A possibilidade de uma parcela maior da cana ser destinada ao etanol também influencia as expectativas para o mercado de açúcar.
Para o etanol, a demanda interna tende a ganhar força com a elevação da mistura obrigatória do biocombustível à gasolina, que passou de 30% para 32% no fim de julho. A mudança pode aumentar o consumo de etanol anidro e influenciar a destinação da cana pelas usinas.







