O trigo cultivado na Região Centro-Oeste encerrou agosto com resultados diferentes entre os sistemas de produção e os estados.
Enquanto as lavouras irrigadas de Goiás apresentam desempenho mais favorável e avançam para a colheita, o trigo de sequeiro sofreu com a falta de chuva durante o ciclo. Em Mato Grosso do Sul, além do déficit hídrico, a ocorrência de brusone contribuiu para a redução das expectativas de produção.
Trigo cultivado na Região Centro-Oeste

Os dados fazem parte do acompanhamento semanal das condições das lavouras realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Em Goiás, as áreas de sequeiro foram as mais afetadas pela irregularidade das chuvas. A baixa disponibilidade de água prejudicou etapas importantes do desenvolvimento das plantas, como o perfilhamento, o crescimento do colmo e o enchimento dos grãos. Em alguns locais, os produtores optaram por não realizar a colheita, destinando as áreas remanescentes à cobertura do solo.
A situação foi diferente nas lavouras irrigadas. Com maior disponibilidade de água, o desenvolvimento das plantas foi mais satisfatório e algumas áreas começaram a ser colhidas em agosto. Segundo a Conab, a maior participação do trigo irrigado contribui para elevar a produtividade média projetada para o estado.
Uma simulação do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), mostra o impacto que o manejo da água pode ter sobre o potencial produtivo. Em uma lavoura irrigada de Cristalina (GO), com emergência em 12 de maio e ciclo estimado em 120 dias, a necessidade hídrica calculada foi de 575,8 milímetros.
No período, porém, foram registrados apenas 69,2 milímetros de chuva, o equivalente a cerca de 12% da demanda da cultura. A situação foi ainda mais crítica em julho, quando não houve precipitação, e em agosto, com apenas 0,2 milímetro acumulado.
Restrição hídrica também pesa em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, o trigo de sequeiro enfrentou dificuldades principalmente pela distribuição irregular das chuvas. No município de Ponta Porã, no sudoeste do estado, uma simulação do SISDAGRO para uma lavoura com emergência em 19 de maio registrou 236 milímetros de precipitação ao longo do ciclo, enquanto a necessidade estimada da cultura era de 393 milímetros.
O cenário se agravou em julho. Foram registrados somente 19,2 milímetros de chuva no mês, diante de uma demanda hídrica estimada em 148,7 milímetros. A partir de 21 de julho, o armazenamento de água no solo ficou abaixo de 10% da capacidade, indicando forte restrição para as plantas.
A falta de água em períodos importantes do desenvolvimento reduz a expansão das folhas e a capacidade de aproveitamento da radiação solar. Com menor atividade fotossintética, a formação de biomassa é prejudicada e os impactos podem se estender à formação e ao enchimento dos grãos.
Considerando as condições analisadas pelo modelo, a deficiência hídrica resultou em uma redução estimada de 54,6% do potencial produtivo.
Além da seca, as condições de temperatura, umidade e nebulosidade favoreceram a ocorrência de doenças fúngicas em regiões produtoras de Mato Grosso do Sul. A brusone ganhou destaque, principalmente no sudoeste do estado, e passou a influenciar as estimativas de produção conforme a colheita avançou no fim de agosto.







