O estudo mostrou que a aplicação do fungo benéfico Beauveria bassiana nas folhas da planta altera os compostos voláteis liberados pelo milho, tornando-o mais atrativo para a vespa parasitoide Telenomus podisi, inimiga natural responsável por destruir os ovos do inseto. A descoberta pode reduzir a necessidade de defensivos químicos no campo.
Lavouras de milho

Os prejuízos provocados pelo percevejo são mais frequentes em áreas conduzidas sob Sistema Plantio Direto, especialmente na sucessão entre soja e milho. Após a colheita da soja, o inseto migra para as lavouras recém-estabelecidas de milho e ataca as plantas durante as primeiras semanas de desenvolvimento, fase considerada crítica para a cultura.
Em busca de uma alternativa sustentável para enfrentar esse problema, pesquisadores coordenados por Maria Carolina Blassioli Moraes conduziram um estudo ao longo de cinco anos. A pesquisa combinou duas ferramentas de controle biológico: o fungo Beauveria bassiana e a vespa Telenomus podisi, que parasita os ovos do percevejo. Os resultados foram publicados no periódico científico Journal of Pest Science.
Durante o trabalho, os cientistas utilizaram a linhagem CG 1105 do fungo, pertencente ao banco de microrganismos do laboratório de micologia da Embrapa. A expectativa inicial era avaliar o efeito direto do fungo sobre a mortalidade do percevejo após a pulverização das plantas de milho.
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No entanto, os experimentos revelaram um efeito indireto ainda mais relevante: a presença do fungo modificou os compostos aromáticos emitidos pela planta, favorecendo a atração da vespa parasitoide.
O fenômeno, explicado pela ecologia química, área que estuda a comunicação entre organismos por meio de sinais químicos, reforça o potencial de estratégias naturais para o manejo de pragas e o fortalecimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis.







