A produção brasileira de trigo deve somar 5,7 milhões de toneladas em 2026, segundo a estimativa mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O volume representa uma redução de 27,1% em comparação com o resultado registrado no ano passado.
Produção brasileira de trigo

A queda ocorre em um cenário de menor área cultivada e expectativa de produtividade mais baixa. A área destinada ao cereal foi estimada em 1,9 milhão de hectares, recuo de 21,2%. Já o rendimento médio deve ficar em aproximadamente 2,9 mil quilos por hectare, 7,5% abaixo do registrado na safra anterior.
O plantio já foi encerrado nas principais regiões produtoras. O Rio Grande do Sul permanece como o maior produtor nacional.
Entre os fatores que pesaram sobre a decisão dos agricultores está a remuneração obtida com a venda do trigo. Os preços considerados pouco atrativos nos últimos anos, somados às dificuldades financeiras enfrentadas por parte dos produtores, reduziram o interesse pela cultura.
As condições climáticas também entraram na conta. A influência do fenômeno El Niño aumentou a preocupação com possíveis problemas durante o desenvolvimento das lavouras, em um momento em que o produtor já lidava com margens mais apertadas.
No Paraná, um dos principais polos produtores, a tonelada do trigo está atualmente na faixa de R$ 1,5 mil, de acordo com o Cepea/Esalq. No início do período de semeadura, em abril, a cotação estava abaixo de R$ 1,3 mil.
Para Marco Antônio Chaves, gerente substituto de acompanhamento de safras da Conab, a remuneração observada no começo do ano contribuiu para reduzir o interesse pelo cultivo. Ele também cita o aumento dos custos dos insumos associado ao cenário internacional como um dos elementos que afetaram a decisão dos agricultores.
Farinha

Apesar da previsão de uma safra significativamente menor, os dados de inflação ainda não mostram uma pressão forte sobre os preços dos derivados do trigo.
No caso da farinha de trigo, o IPCA registra queda de 4,33% no acumulado de 2026 e de 5,32% nos 12 meses encerrados em agosto. No mês, porém, houve alta de 0,43%.
O pão francês apresentou comportamento diferente. O preço subiu 3,78% desde o início do ano e acumula alta de 4,65% em 12 meses. Em agosto, a variação foi de 0,40%.







