A combinação entre queda das cotações internacionais do café e alta dos custos de produção deve impor novos desafios à cafeicultura brasileira na safra 2026/27.
Depois de um período de preços recordes que favoreceu a rentabilidade dos produtores, o mercado passa por uma mudança de cenário marcada pelo recuo das commodities e pela elevação do preço dos fertilizantes, principal insumo utilizado na atividade.
Cafeicultura brasileira na safra 2026/27

Entre 2024 e o início de 2025, o mercado internacional registrou uma das maiores valorizações das últimas décadas. O contrato C de Nova York, referência para o café arábica, atingiu 413 centavos de dólar por libra-peso em outubro de 2024, enquanto o contrato do robusta negociado em Londres alcançou US$ 4.865 por tonelada.
A alta foi impulsionada por problemas climáticos nas principais regiões produtoras do Brasil, pela valorização do dólar e pela manutenção da demanda global, garantindo receitas elevadas aos cafeicultores e amenizando o impacto do aumento dos custos de produção observado desde 2021.
Esse cenário, porém, começou a mudar ao longo do primeiro semestre de 2026. Em maio, o contrato do arábica acumulava queda de 25,2% em relação aos 12 meses anteriores, sendo negociado a 281 centavos de dólar por libra-peso. No mesmo período, o robusta recuou 28%, passando para US$ 3.504 por tonelada.
A redução dos preços coincide com um momento estratégico para os produtores, que entre agosto e setembro iniciam a compra de fertilizantes destinados à safra 2026/27. O problema é que, enquanto o café perdeu valor no mercado internacional, os custos desses insumos seguem elevados.
Expectativa de safra

Pelo lado da oferta, a expectativa de uma safra maior também tende a influenciar o mercado. O primeiro levantamento da Conab estima produção de 66,2 milhões de sacas beneficiadas em 2026, volume 17,1% superior ao da safra anterior e 22,1% acima do registrado em 2024.
O avanço é atribuído à bienalidade positiva, às condições climáticas mais favoráveis e à expansão da área cultivada. Com a colheita concentrada entre abril e julho, a maior disponibilidade de café pode manter pressão sobre as cotações no curto prazo.
Levantamento realizado pelo projeto Campo Futuro, da CNA/Senar em parceria com a UFLA, mostra que a rentabilidade da atividade já apresenta diferenças significativas entre regiões e sistemas de produção. Das 20 localidades avaliadas na safra 2024/25, três registraram margem líquida negativa, enquanto outras cinco apresentaram ganhos inferiores a R$ 200 por saca, patamar considerado reduzido diante de possíveis oscilações de custos ou de preços.
O estudo também destaca que os fertilizantes representam, em média, 21,5% do custo operacional efetivo da cafeicultura, podendo variar entre 13% e 32% conforme a região e o sistema produtivo. Por isso, aumentos no preço desses insumos têm impacto direto sobre a rentabilidade.
Simulações elaboradas a partir das matrizes de custo do Campo Futuro indicam que a safra 2026/27 poderá ser marcada por margens mais apertadas. O cenário considera a combinação entre preços mais baixos para o café e custos mais elevados com fertilizantes, o que reduz a rentabilidade da atividade e torna ainda mais importante o planejamento da compra de insumos pelos produtores.







