Neste Dia Internacional da Mulher, o campo brasileiro também celebra a presença e a liderança de milhares de mulheres que atuam diretamente nas atividades rurais.
Cada vez mais visíveis na gestão de propriedades e na condução de negócios do agronegócio, elas têm ampliado sua participação em um setor historicamente associado à liderança masculina.
Dia Internacional da Mulher

Durante décadas, a imagem do agronegócio esteve ligada ao homem como principal responsável pelas decisões e pelo trabalho nas fazendas. No entanto, a participação feminina sempre fez parte da construção da atividade rural no país, ainda que muitas vezes pouco reconhecida.
Nos últimos anos, o número de mulheres à frente da administração de propriedades rurais tem crescido de forma significativa. Parte delas assume essa função por sucessão familiar, enquanto outras optam por construir carreira no setor e conquistar espaço na gestão do campo.
Além de administrar propriedades, essas profissionais também têm papel importante na adoção de tecnologias, na liderança de equipes, no desenvolvimento de práticas sustentáveis e na tomada de decisões estratégicas em um mercado cada vez mais competitivo.
Dados apontam que cerca de 6,14 milhões de mulheres vivem e trabalham no meio rural brasileiro, participando diretamente da produção de alimentos, da condução de negócios familiares e da dinâmica econômica das comunidades do campo.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), as mulheres rurais desempenham papel essencial para o desenvolvimento sustentável, sobretudo na América Latina, onde ainda enfrentam desafios como desigualdade de renda e dificuldades de acesso a crédito e tecnologias.
Participação feminina

Levantamentos do Observatório das Mulheres Rurais do Brasil, da Embrapa, mostram que a participação feminina na produção de alimentos aumentou de forma relevante entre 2006 e 2017.
O crescimento está relacionado, entre outros fatores, à criação de políticas públicas voltadas à autonomia econômica das mulheres e ao fortalecimento da agricultura familiar.
Os dados também evidenciam a contribuição das trabalhadoras rurais para a economia das famílias do campo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres respondem por 42,4% da renda familiar rural no país.
Apesar dos avanços, ainda existem desafios. Apenas 19% das propriedades rurais estão registradas em nome de mulheres, e o acesso a crédito rural e assistência técnica ainda é menor quando comparado ao dos homens. A ampliação dessas oportunidades é apontada como um passo importante para fortalecer, ainda mais, o protagonismo feminino no agronegócio brasileiro.







