A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) encaminhou ao Ministério de Minas e Energia (MME) um pedido para que seja ampliada a mistura de biodiesel na composição do diesel comercializado no país.
A proposta é elevar a mistura obrigatória dos atuais 15% para 17%, diante das recentes tensões no Oriente Médio e das consequências no mercado internacional de petróleo.
Mistura de biodiesel na composição do diesel comercializado no país

No documento enviado ao ministro Alexandre Silveira, a entidade destaca que, após o início dos novos conflitos na região, o preço do barril do petróleo Brent chegou a atingir US$ 84, acumulando valorização de até 20% em comparação com o fim de fevereiro.
A CNA lembra ainda que situações semelhantes já provocaram efeitos diretos sobre o preço do combustível no Brasil. Como exemplo, cita o período inicial da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022, quando o valor do Brent registrou aumento de cerca de 40% no primeiro semestre. Naquele momento, os preços do diesel nas etapas de distribuição e revenda subiram, em média, 21% e 23%, respectivamente.
A entidade também aponta que o adiamento da entrada em vigor da mistura B16, que elevaria a participação do biodiesel para 16% a partir de 1º de março de 2026, conforme o cronograma da política nacional do setor, já reduz o potencial do biocombustível de amenizar impactos em períodos de instabilidade no mercado internacional.
Safra de soja

Outro argumento apresentado pela CNA é o atual momento da safra de soja no Brasil, que amplia a oferta de matéria-prima para a produção de biodiesel.
Segundo a confederação, esse cenário favorece a competitividade do biocombustível e pode contribuir para evitar aumentos expressivos nos custos do diesel, especialmente para atividades ligadas ao transporte e ao agronegócio.
No ofício, o presidente da CNA, João Martins, afirma que antecipar o aumento da mistura pode ajudar a minimizar efeitos sobre consumidores e setores produtivos. Segundo ele, a medida ampliaria a disponibilidade de combustível no mercado interno, reduziria pressões logísticas e reforçaria a segurança energética do país.







