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El Niño muda cenário de chuvas e exige adaptação do agro em diferentes regiões

Previsões indicam cenários distintos entre as regiões brasileiras, com maior atenção para déficit hídrico no Centro-Oeste e Nordeste e excesso de chuva no Sul.

Por Arieny Alves
Publicado em 06/10/2026 às 10:35
El Niño muda cenário de chuvas e exige adaptação do agro em diferentes regiões

Foto: Envato

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O avanço do El Niño 2026/2027 deve trazer impactos diferentes para a produção agropecuária brasileira.

Enquanto áreas do Sul podem enfrentar chuvas acima do normal e excesso de umidade, produtores do Centro-Oeste, Nordeste, Norte e parte do Sudeste devem lidar com maior risco de seca, irregularidade das precipitações e temperaturas elevadas.

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Avanço do El Niño 2026/2027 na produção agropecuária brasileira

Produção agropecuaria
Foto: Envato

Diante dos cenários, equipes da Embrapa nas cinco regiões do país reuniram recomendações que levam em conta não apenas as características climáticas de cada área, mas também o tipo de cultura, o sistema produtivo e a fase do ciclo agrícola. Entre as principais medidas estão o uso do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), a escolha de cultivares adaptadas, o escalonamento da semeadura e práticas para conservar água e solo.

No Centro-Oeste, por exemplo, Mato Grosso e Goiás aparecem entre os estados com maior possibilidade de déficit hídrico, enquanto o sul de Mato Grosso do Sul tende a receber volumes maiores de chuva. A previsão indica possibilidade de atraso e irregularidade das precipitações na primavera, seguida por períodos de chuva abaixo da média, veranicos e ondas de calor durante o verão.

O intervalo entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 é apontado como o período de maior atenção para a seca. O atraso das primeiras chuvas pode dificultar o início da safra de verão, enquanto períodos prolongados sem precipitação podem atingir as lavouras justamente em fases de maior necessidade de água.

Para soja e milho, a recomendação é respeitar as janelas de plantio definidas pelo Zarc, optar por materiais mais tolerantes à seca e ao calor, distribuir a semeadura ao longo do período adequado e manter a cobertura do solo. Caso o atraso no plantio da soja seja expressivo, o produtor pode avaliar alternativas ao milho segunda safra, como sorgo e milheto, que apresentam menor custo e risco.

No algodão, a orientação é evitar o plantio tardio e dar preferência a cultivares mais precoces conforme a janela de semeadura avance. Também são indicadas práticas que favoreçam a infiltração e a retenção de água no solo.

Arroz e feijão também exigem atenção. Além de seguir as indicações do Zarc e utilizar cultivares adaptadas, a conservação do solo é considerada importante. No arroz, temperaturas superiores a 35°C podem prejudicar a formação das espiguetas, enquanto o atraso no plantio do feijão pode comprometer o rendimento.

A cana-de-açúcar apresenta riscos diferentes dentro da própria região. Em Mato Grosso e Goiás, a preocupação maior está relacionada à seca e ao atraso das chuvas. Já no centro-sul de Mato Grosso do Sul, o excesso de precipitação pode dificultar operações no campo e interferir na qualidade da matéria-prima.

Na pecuária, a recomendação é ajustar o número de animais à capacidade das pastagens, manter estoque de forragem e garantir água e sombra. No Pantanal, o acompanhamento das chuvas deve ser associado aos níveis dos rios e às condições hidrológicas, além de medidas de prevenção a incêndios. Para a silvicultura, entram no planejamento o monitoramento de focos de calor, a prevenção contra incêndios e a escolha de materiais mais adaptados ao calor e à estiagem.

No Nordeste, especialmente no Semiárido, o cenário projetado é de temperaturas mais altas e maior irregularidade das chuvas. A combinação pode elevar a demanda por água, reduzir a umidade do solo e aumentar a pressão sobre culturas de sequeiro e pastagens.

Para o último quadrimestre de 2026, as projeções apontam maior probabilidade de precipitações abaixo da média, acompanhadas de temperaturas elevadas. Com isso, crescem os riscos de déficit hídrico, ondas de calor e queimadas.

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Efeitos na agricultura

El NIno na agricultura
Foto: Envato

Os efeitos mais importantes sobre a agricultura são esperados no início de 2027, período que concentra parte importante da estação chuvosa e do calendário agrícola do Semiárido. A intensidade dos impactos, porém, também dependerá de outros fatores climáticos, especialmente das condições do Atlântico Tropical.

A situação hídrica de partida é considerada mais favorável do que a registrada antes do El Niño de 2015/2016. Em agosto daquele ano, os reservatórios nordestinos armazenavam aproximadamente 23% da capacidade. Em 2026, o nível está próximo de 51%. Ainda assim, uma estação chuvosa irregular pode limitar a recuperação dos estoques, principalmente em pequenos reservatórios.

Nesse cenário, a orientação é antecipar a formação de reservas e ampliar as alternativas de captação e armazenamento de água. Cisternas, barreiros-trincheira, barragens subterrâneas, aproveitamento da água da chuva e sistemas de reuso estão entre as possibilidades indicadas.

Na agricultura, o planejamento deve considerar as janelas de plantio do Zarc e a utilização de espécies e cultivares adaptadas às condições locais. O escalonamento das atividades também pode ajudar a distribuir os riscos. Em áreas onde o milho apresentar maior vulnerabilidade, o sorgo pode ser considerado uma alternativa.

A conservação do solo também ganha importância. A manutenção de cobertura vegetal ou palhada, a redução do revolvimento, o uso de matéria orgânica e técnicas que aumentem a infiltração e a retenção de água ajudam a diminuir perdas por evaporação e escoamento superficial.

Para a pecuária, a orientação é formar reservas de alimento antes do agravamento das condições climáticas, conservar estoques de forragem, manter bancos de palma-forrageira e adequar a quantidade de animais à capacidade de suporte da propriedade.

O conjunto de recomendações faz parte do trabalho desenvolvido a partir de 163 medidas elaboradas pelo Grupo de Trabalho sobre o El Niño, criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A iniciativa contou com aproximadamente 50 profissionais da Embrapa e especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A avaliação também reforça que as medidas não precisam ser utilizadas apenas durante o atual episódio climático. Parte das estratégias pode ser incorporada ao planejamento das propriedades para aumentar a capacidade de resposta a períodos de seca, excesso de chuva e outros eventos recorrentes.

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Tags: El Niñoprodução agropecuáriasafra 26/27

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