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Endividamento rural avança em Mato Grosso com alta da inadimplência e renegociações

Levantamento do Imea mostra que o crédito problemático alcançou o maior percentual da série histórica, impulsionado por juros elevados, queda nos preços das commodities e aumento dos custos de produção.

Por Arieny Alves
Publicado em 09/07/2026 às 17:43
Endividamento rural avança em Mato Grosso com alta da inadimplência e renegociações

Foto: Envato

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O endividamento dos produtores rurais de Mato Grosso aumentou de forma significativa nos últimos anos, impulsionado pela combinação de queda nos preços das commodities, juros elevados, custos de produção mais altos e instabilidade no cenário internacional.

A avaliação é de um estudo divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que analisou a evolução do crédito rural entre 2017 e 2026.

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Endividamento dos produtores rurais de Mato Grosso

Produtores rurais
Foto: Envato

O levantamento compara o período de 2017 a 2021, marcado por condições mais favoráveis ao setor agropecuário, com os anos de 2022 a 2026, quando a rentabilidade das atividades passou a sofrer maior pressão em razão das mudanças no ambiente econômico.

Os dados mostram que o volume de crédito rural utilizado pelos produtores no estado praticamente triplicou ao longo do período analisado, passando de R$ 15,58 bilhões na safra 2016/17 para R$ 47,43 bilhões em 2023/24. Apenas os financiamentos destinados ao custeio das lavouras de soja e milho cresceram de R$ 5,65 bilhões para R$ 15 bilhões.

Ao mesmo tempo, o custo desse financiamento aumentou com a elevação das taxas de juros dos programas de crédito e da taxa Selic, que chegou a 14,25% ao ano. Segundo o Imea, esse cenário elevou as despesas financeiras dos produtores e reduziu a capacidade de investimento nas propriedades.

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Gestão financeira

Dívidas rurais
Foto: Envato

Para o superintendente do instituto, Cleiton Gauer, o principal desafio atual está na gestão financeira das propriedades, e não na capacidade de produção. Segundo ele, mesmo com bons níveis de produtividade, muitos produtores enfrentam dificuldades para transformar os resultados da lavoura em rentabilidade.

O estudo também aponta crescimento do chamado crédito problemático, que reúne operações inadimplentes, renegociadas e prorrogadas. Até abril deste ano, esse montante alcançou R$ 21,79 bilhões, equivalente a 18,22% da carteira de crédito rural de Mato Grosso, o maior percentual da série histórica. Em 2022, esse índice era de 2,08%.

De acordo com o Imea, mais da metade desse volume corresponde a contratos renegociados, indicando que parte dos produtores tem buscado reestruturar as dívidas para manter as atividades no campo.

Outro indicador que acende o alerta é o aumento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio. Com base em dados da Serasa Experian, o instituto informa que Mato Grosso lidera o ranking nacional desde 2023. Em 2025, foram registrados 332 pedidos de recuperação judicial no estado, acima de Goiás, com 296 solicitações, e do Paraná, que contabilizou 248.

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Tags: endividamento ruralMato Grossoprodutores rurais

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