A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está concluindo o desenvolvimento de uma nova ferramenta voltada à medição de carbono armazenado no solo em sistemas agrícolas.
Batizado de ProCarbon-Soil (Procs), o modelo foi criado para estimar a dinâmica do chamado “carbon farming”, conjunto de práticas que contribuem para retirar carbono da atmosfera e aumentar seu armazenamento no solo.
Nova ferramenta voltada à medição de carbono armazenado

Os detalhes da tecnologia foram apresentados em artigo científico publicado no periódico especializado Soil Science Society of America Journal. Segundo os pesquisadores, a principal inovação está na adaptação às condições tropicais, característica que diferencia o Procs dos modelos atualmente utilizados no mercado de carbono, desenvolvidos em regiões de clima temperado.
O sistema utiliza apenas duas variáveis diretamente mensuráveis, o estoque total de carbono presente no solo e seu potencial de decomposição. A simplificação contrasta com modelos tradicionais, que geralmente exigem um número maior de parâmetros e informações de difícil obtenção.
A ferramenta foi desenvolvida com base em estudos sobre a dinâmica da matéria orgânica no solo e permite simular os efeitos de práticas agrícolas como plantio direto, rotação de culturas e diferentes formas de preparo do terreno sob variadas condições climáticas.
Para a construção do modelo, os pesquisadores utilizaram dados obtidos em pesquisas conduzidas pela Embrapa e pela Bayer, parceira do projeto. O processo de calibração também contou com um amplo conjunto de informações secundárias, reunindo 4.290 amostras de solo provenientes de todas as regiões do país e extraídas de 370 estudos científicos.
Mercado de créditos de carbono

De acordo com a equipe responsável, além de facilitar a medição, verificação e elaboração de relatórios, o Procs pode contribuir para aumentar a confiabilidade dos projetos ligados ao mercado de créditos de carbono.
Atualmente, uma das alternativas para mensurar o carbono armazenado no solo é a realização de coletas periódicas em campo, método considerado mais caro e demorado. Outra possibilidade é o uso de modelos reconhecidos pelas certificadoras do setor.
Nos testes realizados, o Procs apresentou resultados próximos aos obtidos pelo Century, um dos modelos mais conhecidos para esse tipo de análise. Em simulações de 50 anos, a diferença média entre as estimativas foi de 1,03 tonelada de carbono por hectare.
Os pesquisadores afirmam ainda que o grau de incerteza do modelo ficou abaixo daquele normalmente observado em medições diretas realizadas em propriedades rurais. Em áreas agrícolas com cerca de 40 hectares, os protocolos tradicionais podem apresentar margem de erro de até 3,8 toneladas de carbono por hectare.
Antes de ser utilizado comercialmente, o Procs precisará passar pelo processo de validação junto às certificadoras que atuam no mercado voluntário de carbono. Atualmente, a equipe trabalha na elaboração da documentação necessária para submissão à Verra, organização internacional responsável pela certificação de créditos de carbono.







