Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, em parceria com a empresa Efense, desenvolveram um processo para produzir em escala industrial bioinseticidas à base de fungos capazes de infectar insetos.
A tecnologia reúne etapas de fermentação, formulação, armazenamento e testes de eficiência e busca viabilizar a fabricação de produtos biológicos para o controle de pragas agrícolas.
Bioinseticidas à base de fungos capazes de infectar insetos

O estudo teve como foco os blastosporos, células produzidas por fungos entomopatogênicos durante o processo de infecção dos insetos. Diferentemente da produção convencional de conídios por fermentação sólida, a multiplicação em meio líquido permite acelerar a produção e facilita a automação do processo industrial.
Segundo os pesquisadores, um dos principais avanços foi alcançar concentrações superiores a 1 bilhão de blastosporos por mililitro em cerca de dois dias de fermentação, mantendo características necessárias para a aplicação agrícola.
O processo também foi testado em diferentes escalas, passando de experimentos laboratoriais para biorreatores de sete litros e, posteriormente, para equipamentos industriais com capacidade de 1.200 litros.
Mesmo no estágio industrial, os cultivos apresentaram rendimentos elevados. Os experimentos registraram, em média, entre 1,8 bilhão e 2,8 bilhões de unidades formadoras de colônia por mililitro após dois a quatro dias de fermentação.
A estabilidade do material após a produção, no entanto, era um dos obstáculos para a utilização comercial dos blastosporos. Como essas células são sensíveis à desidratação e a condições ambientais adversas, os pesquisadores desenvolveram formulações com óleo vegetal e sílica amorfa para preservar sua viabilidade durante o armazenamento.
Nos testes, as formulações mantiveram os fungos viáveis por até 90 dias sob refrigeração. Além de aumentar a estabilidade, a formulação oleosa também apresentou maior atividade inseticida em comparação com os blastosporos não formulados.
A eficiência dos produtos foi avaliada contra a mosca-branca (Bemisia tabaci biótipo B) e a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), duas pragas de relevância para a agricultura brasileira. Em experimentos de laboratório e casa de vegetação, os tratamentos com blastosporos formulados provocaram mortalidade entre 70% e 93% dos insetos na concentração de 10 milhões de blastosporos por mililitro.
Os pesquisadores também observaram que os fungos conseguem aderir ao corpo dos insetos, germinar e iniciar a infecção poucas horas depois da aplicação. A capacidade de infectar rapidamente é considerada importante para o desempenho de produtos destinados ao controle biológico.
A tecnologia ainda passou por testes em condições de campo. Em duas safras consecutivas de soja, entre 2022/2023 e 2023/2024, aplicações dos bioinseticidas reduziram as populações de mosca-branca nas áreas experimentais. Os produtos foram comparados com bioinseticidas comerciais registrados no país.







