O recente surto de Chagas em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, reacendeu o alerta das autoridades de saúde para a importância da higienização adequada dos alimentos, especialmente aqueles preparados de forma artesanal, como o açaí.
Em janeiro, o Ministério da Saúde passou a classificar a situação no município como surto após o aumento expressivo de casos. Quatro mortes foram confirmadas, incluindo a de uma criança de 11 anos, número que já supera o total registrado nos últimos cinco anos na cidade.
Surto de Chagas e higienização correta dos alimentos

Esse tipo de contaminação ocorre quando alimentos são preparados ou consumidos sem os cuidados de higiene necessários, permitindo a presença do protozoário causador da Chagas.
De acordo com a nutricionista Natália Santos, um dos principais equívocos da população é associar o risco ao alimento em si, e não ao modo de preparo.
“Existe o mito de que o açaí transmite a doença, mas isso não é verdade. O risco está nas condições de higiene e na forma como o alimento é processado, não no produto em si”, disse em entrevista ao Portal Agro2.
Ela também alerta para outras crenças que podem aumentar a exposição ao problema. Com base nela, muita gente acha que gelar ou adoçar o alimento reduz o risco de contaminação, mas isso não elimina o protozoário.
Outro engano comum é acreditar que a doença só é transmitida pelo contato direto com o barbeiro. A contaminação oral é real e já foi responsável por diversos surtos no país.
Atenção aos primeiros sinais
A orientação é que qualquer pessoa que tenha consumido alimentos suspeitos e apresente mal-estar procure imediatamente uma unidade de saúde, mesmo que ainda não haja sintomas evidentes. O diagnóstico precoce é considerado essencial para o tratamento eficaz da doença.
Nesses casos, é importante informar ao profissional de saúde qual alimento foi consumido, o local e a data, para auxiliar na investigação e no monitoramento de possíveis novos focos de contaminação.
Passo a passo da higienização

A nutricionista reforça que os cuidados não se limitam apenas aos alimentos que podem estar associados ao barbeiro, mas devem ser adotados para todas as frutas e verduras consumidas no dia a dia.
O primeiro passo é a lavagem em água corrente, removendo sujeiras visíveis, folhas estragadas e resíduos. Nathália orienta que não se deve utilizar detergente, sabão ou outros produtos de limpeza. “Essas substâncias podem causar contaminação química nos alimentos. A água corrente é suficiente nessa etapa inicial”, afirma.
Ela ainda indica que após a lavagem, o indicado é deixar os alimentos de molho por cerca de 15 minutos em uma solução clorada. A proporção recomendada é de uma colher de sopa de água sanitária própria para higienização de alimentos para cada litro de água. A especialista lembra que é fundamental verificar no rótulo do produto se ele é adequado para esse uso.
Concluído o tempo de pausa com a solução, os alimentos devem ser enxaguados novamente em água potável para remover qualquer resíduo da solução.
Já em relação aos produtos processados artesanalmente, como o açaí, a nutricionista que a atenção deve ser redobrada, sendo assim, deve seguir rigorosamente todas as etapas de seleção dos frutos, lavagem adequada, branqueamento e armazenamento sob refrigeração.







