As condições climáticas globais podem passar por uma nova mudança ao longo de 2026, com aumento na probabilidade de formação do fenômeno El Niño.
O sistema faz parte do chamado El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que influencia diretamente o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do planeta.
Formação do fenômeno El Niño

Atualmente, o Oceano Pacífico equatorial se encontra em condição de neutralidade, após o enfraquecimento recente da La Niña. No entanto, dados mais recentes já indicam aquecimento gradual das águas, o que pode sinalizar uma transição para a fase quente do fenômeno nos próximos meses.
De acordo com previsões divulgadas em abril pelo Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, há cerca de 80% de chance de manutenção da neutralidade até o fim do primeiro semestre. A partir do trimestre entre maio e julho, a probabilidade de formação do El Niño supera 60% e pode ultrapassar 90% na segunda metade do ano.
No Brasil, o impacto costuma ser mais significativo na região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul. Isso ocorre porque o fenômeno intensifica o transporte de umidade da Amazônia para o estado, favorecendo a formação de sistemas de baixa pressão e aumentando o risco de tempestades e volumes elevados de chuva.
Historicamente, episódios de El Niño estão associados a chuvas acima da média no Sul, enquanto áreas do Norte e Nordeste tendem a registrar períodos mais secos. Esse padrão também foi observado em eventos intensos registrados nas últimas décadas.
Rio Grande do Sul

O comportamento do clima no Rio Grande do Sul é sensível a essas variações. A localização geográfica do estado favorece a atuação de frentes frias e ciclones extratropicais que podem ser intensificados durante o El Niño, resultando em acumulados expressivos de precipitação.
Um exemplo recente ocorreu entre abril e maio de 2024, quando chuvas extremas atingiram o estado. Na ocasião, a fase final de um El Niño forte contribuiu para intensificar correntes de vento em altos níveis da atmosfera e manter frentes frias estacionárias sobre a região.
Outros fatores também agravaram o cenário, como o aquecimento do Atlântico tropical sul e a presença de bloqueios atmosféricos, que prolongaram as instabilidades.
Para o trimestre entre maio e julho de 2026, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia indica maior probabilidade de chuvas acima da média no Rio Grande do Sul. Já as temperaturas devem permanecer próximas dos padrões históricos para o período.







