Uma ação coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizou a primeira etapa de monitoramento ambiental e humano do mercúrio na Aldeia Gorotire, localizada na Terra Indígena Kayapó, em Redenção, no sul do Pará.
A área está situada nas proximidades do garimpo Maria Bonita, considerado o maior em terras indígenas da região.
Monitoramento ambiental e humano do mercúrio

A atividade envolveu a coleta de amostras de água e sedimentos, além da análise da presença de mercúrio em peixes consumidos pela comunidade.
A iniciativa faz parte do projeto Impacto do Mercúrio em Áreas Protegidas e Povos da Floresta na Amazônia, desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e financiado pelo Governo da Alemanha. O objetivo é avaliar os efeitos da exposição ao metal na saúde das populações indígenas e nos ecossistemas aquáticos.
Durante a etapa, foram realizadas entrevistas, avaliações clínicas e a coleta de amostras biológicas e ambientais. Ao todo, 209 pessoas participaram do estudo.
As análises biológicas ficarão a cargo do Laboratório de Pesquisa de Ciências Farmacêuticas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Além da Aldeia Gorotire, indígenas de outras oito comunidades, Bananal, Kriny, Ladeira, Las Casas, Marabá, Ngokongotire, Ponte e Redenção também foram incluídos.
Recolhimento das amostras

No campo ambiental, as equipes recolheram 18 amostras de sedimentos, 21 de água em rios da bacia do Rio Fresco e oito em pontos de abastecimento para consumo humano.
Também foram obtidas 51 amostras de peixes. As análises serão conduzidas pelo Laboratório de Biogeoquímica Ambiental W.C. Pfeiffer, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), em Porto Velho.
Segundo a secretária substituta nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Thaianne Resende, o trabalho envolve desafios técnicos e institucionais e busca integrar áreas como ciência, saúde e meio ambiente.
De acordo com ela, os resultados permitirão identificar níveis de contaminação, padrões de exposição e possíveis riscos à saúde humana e ao meio ambiente, além de subsidiar medidas de proteção e enfrentamento aos impactos da mineração ilegal.
A agenda também incluiu reuniões de planejamento com representantes do MMA, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de Redenção, do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Kayapó do Pará, da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e da Fiocruz, para apresentação do protocolo de pesquisa e definição das estratégias de atuação no território.







