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Baixas temperaturas favorecem escurecimento da polpa da manga, aponta Estudo

Estudo de três anos mostra que frutos colhidos em estágios menos avançados de maturação são mais suscetíveis ao distúrbio durante armazenamento e transporte.

Por Arieny Alves
Publicado em 16/09/2026 às 14:02
Baixas temperaturas favorecem escurecimento da polpa da manga, aponta Estudo

Foto: Fernanda Birolo/Embrapa

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Uma pesquisa conduzida durante três anos pela Embrapa Semiárido identificou uma relação direta entre a exposição ao frio e o escurecimento da polpa da manga, problema conhecido como black flesh ou “corte negro”.

O distúrbio fisiológico aparece principalmente na região próxima à semente e pode comprometer a qualidade dos frutos e a aceitação da manga no mercado.

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Os pesquisadores verificaram que o problema ocorre principalmente em frutos mais sensíveis ao frio, colhidos em estágios menos avançados de maturação e posteriormente submetidos a baixas temperaturas durante o armazenamento e o transporte refrigerado.

Exposição ao frio e o escurecimento da polpa da manga

Plantio da manga
Foto: Divulgação/Embrapa

O estudo também apontou medidas capazes de reduzir a ocorrência do distúrbio. Entre as estratégias estão a escolha adequada do ponto de colheita, o controle das condições da cadeia de frio, o uso de contêineres com atmosfera controlada e a aplicação do 1-metilciclopropeno (1-MCP), composto que reduz a ação do etileno, hormônio relacionado ao amadurecimento dos frutos.

O problema tem impacto sobre uma cadeia importante para a fruticultura brasileira. O país é o sexto maior produtor mundial de manga e mais de 90% das exportações brasileiras da fruta têm origem no Vale do São Francisco. Como os frutos destinados à Europa, aos Estados Unidos e à Ásia permanecem por semanas em contêineres refrigerados, as condições de transporte podem favorecer o desenvolvimento do distúrbio.

Uma das dificuldades está no fato de que o defeito não costuma ser percebido externamente. A manga pode chegar ao consumidor com aparência normal e apresentar o escurecimento somente depois de ser cortada. Dessa forma, o problema pode afetar a experiência de consumo e gerar perdas para produtores e exportadores.

O escurecimento também não se manifesta necessariamente no campo ou no momento da colheita. De acordo com os resultados da pesquisa, o distúrbio se desenvolve principalmente durante as etapas de armazenamento e transporte refrigerados.

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Estratégias para reduzir o problema

Manga
Foto: Divulgação/Embrapa

Os experimentos foram realizados com as variedades Tommy Atkins, Kent, Palmer e Keitt, produzidas em pomares comerciais que já apresentavam histórico de ocorrência do distúrbio.

Uma das medidas identificadas pela pesquisa é antecipar ou retardar a colheita de acordo com o estágio adequado de maturação. Frutos retirados do pomar ainda muito verdes demonstraram maior sensibilidade às baixas temperaturas e, consequentemente, maior predisposição ao escurecimento da polpa.

O controle da temperatura durante o armazenamento e o transporte também se mostrou importante. Nos experimentos, temperaturas entre 8 °C e 10 °C favoreceram o aparecimento do problema em frutos suscetíveis.

Outra alternativa avaliada foi o transporte em contêineres de atmosfera controlada. Nesse sistema, os níveis de oxigênio são reduzidos para limitar a respiração e o metabolismo dos frutos, contribuindo para a manutenção da qualidade durante viagens mais longas.

A quarta estratégia analisada foi o uso do 1-MCP. O composto já é utilizado para retardar o amadurecimento de diferentes frutas e, no estudo, também apresentou resultados no controle do escurecimento da polpa da manga.

Nos testes, a aplicação do produto reduziu tanto a ocorrência quanto a intensidade do distúrbio e ajudou a preservar a firmeza da polpa e a capacidade antioxidante dos frutos durante o armazenamento refrigerado.

Nas variedades Tommy Atkins e Keitt, a incidência de escurecimento chegou perto de 100% nos frutos que não receberam tratamento após 45 dias armazenados a 9 °C. Com a aplicação de 1-MCP na concentração de 200 nanolitros por litro, o índice ficou abaixo de 60%.

O efeito está relacionado à ação do composto sobre o etileno. Ao bloquear a atuação do hormônio, o 1-MCP retarda processos ligados ao amadurecimento e pode reduzir os efeitos fisiológicos associados à exposição dos frutos a baixas temperaturas.

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Tags: baixas temperaturasexposição ao friopolpa da manga

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