A distribuição irregular das chuvas tem influenciado o andamento das safras brasileiras, com efeitos distintos entre as regiões produtoras.
Em Mato Grosso, a semeadura da soja já ultrapassou 60% da área prevista, favorecida pela umidade do solo. Em outras localidades, porém, o excesso de precipitação limita o trabalho das máquinas, atrasa o plantio e compromete a qualidade de algumas culturas.
Distribuição irregular das chuvas

O cenário faz parte do levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado na edição de outubro do Boletim de Monitoramento Agrícola. O documento considera as condições climáticas e o desenvolvimento das lavouras entre 1º e 21 de outubro de 2026, período que abrange o encerramento de cultivos de inverno da safra 2025/26 e o início do plantio das culturas de verão da safra 2026/27.
Os dados de vegetação indicam condições favoráveis no começo do novo ciclo, com índices superiores à média histórica nas regiões monitoradas.
Na comparação com a safra anterior, entretanto, o comportamento varia conforme a localidade. No sul de Goiás e no sudoeste de Mato Grosso do Sul, os indicadores estão acima dos registrados no ciclo passado. No norte mato-grossense e no oeste paranaense, os níveis permanecem próximos aos anteriores.
Na safra de inverno, a qualidade do trigo foi prejudicada pelas chuvas em São Paulo e no Paraná. No território paulista, onde a colheita está na fase final, boa parte dos grãos retirados das lavouras apresenta características abaixo do padrão esperado pela indústria de moagem.
No Paraná, cerca de 75% da área cultivada havia sido colhida, mas o produto também registrou peso hectolítrico (PH) inferior ao esperado, indicador utilizado na avaliação da qualidade comercial dos grãos.
No Rio Grande do Sul, a combinação de precipitações frequentes e baixa incidência de radiação solar reduziu o ritmo dos trabalhos no campo. A maior parte das lavouras está nas fases de enchimento de grãos e maturação, que exigem atenção devido ao risco de doenças nas espigas.
Em Santa Catarina, a sequência de períodos chuvosos aumenta a preocupação com problemas fúngicos, entre eles giberela, ferrugens, oídio e manchas foliares, especialmente nas áreas de plantio mais precoce. Já em Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, a colheita do trigo foi concluída.
Plantio da soja avança de forma desigual

Na principal cultura da safra de verão, as condições para a semeadura variam entre os estados. Em Mato Grosso, os trabalhos avançaram em todas as macrorregiões e superaram 60% da área projetada. A disponibilidade de umidade no solo permitiu intensificar as operações.
No Paraná, o plantio também segue em andamento, com desenvolvimento considerado satisfatório na maior parte das áreas já semeadas. Apesar disso, a umidade excessiva pode prejudicar a germinação, favorecer plantas invasoras e ampliar a incidência de pragas e doenças.
Em Goiás, o ritmo depende das condições de cada região. No sudoeste, a umidade favorece o avanço das máquinas, e a expectativa é concluir a semeadura ainda em outubro. No sul do estado, alguns municípios ampliaram os trabalhos, enquanto outros interromperam temporariamente as operações diante da perda rápida de umidade após o preparo do solo. No leste, oeste e norte, o plantio em áreas de sequeiro ainda é limitado, com maior concentração nas áreas irrigadas.
A situação é diferente em Mato Grosso do Sul, onde o solo encharcado provocou a suspensão temporária da semeadura na maior parte das regiões produtoras. No norte e no nordeste do estado, chuvas esparsas permitiram manter as atividades.
No Rio Grande do Sul, os produtores aguardam a redução do encharcamento e períodos sem precipitação para intensificar o plantio. Em Minas Gerais, a semeadura avança nas áreas de sequeiro. Em São Paulo, por sua vez, o excesso de umidade dificulta o acesso às lavouras e a circulação de máquinas, restringindo o ritmo das operações.
Chuvas interferem no plantio de arroz
No Rio Grande do Sul, principal produtor nacional de arroz, aproximadamente 40% da área prevista havia sido semeada até a primeira quinzena de outubro. O volume elevado de chuva e o solo excessivamente úmido aumentam os custos das operações e prejudicam o desenvolvimento inicial das plantas.
Em Santa Catarina, segundo maior produtor do cereal, o plantio já havia ultrapassado metade da área estimada no mesmo período. Ainda assim, as condições climáticas recentes dificultaram tanto a implantação das lavouras quanto o crescimento vegetativo inicial.
No Maranhão e no Pará, a semeadura começou nas áreas irrigadas. Para as lavouras de sequeiro, o calendário está concentrado em novembro e dezembro, quando a expectativa é de maior regularidade das precipitações.







