O mercado brasileiro de feijão registrou novas altas entre os dias 15 e 22 de outubro, em um cenário de oferta limitada de grãos de melhor qualidade e compras pontuais para reposição de estoques.
O movimento foi mais intenso no feijão-preto, enquanto o carioca apresentou variações mais moderadas, com diferenças entre as regiões produtoras.
Mercado brasileiro de feijão

No período, o feijão-preto tipo 1 teve valorização média de 2,70%, segundo o Indicador Cepea/CNA. Os preços subiram em todas as regiões acompanhadas pelo levantamento, com destaque para Sorriso (MT), onde a alta chegou a 4,52%. Em Itapeva (SP), o avanço foi de 1,44%, enquanto Curitiba (PR) registrou aumento de 0,27%.
A menor disponibilidade de grãos de qualidade e o período de entressafra contribuíram para sustentar as cotações.
Entre os lotes de feijão-carioca com peneira 12 e notas 9 ou superiores, a valorização média foi de 0,64% na semana. Itapeva apresentou a maior alta desse grupo, de 1,91%, impulsionada pelo interesse nas primeiras ofertas da nova colheita. Em sentido contrário, os preços recuaram 0,91% em Barreiras (BA) e 0,28% em Sorriso (MT), diante da resistência dos compradores aos valores pedidos pelos vendedores.
Feijão carioca

Para o feijão-carioca de notas 8,0 e 8,5, o aumento médio foi de 1,17%, favorecido pela retomada das compras. As cotações avançaram mais de 3% no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, em Sorriso e na capital paulista. Já no Distrito Federal, no Sul Goiano e no Centro-Noroeste Goiano, foram registrados recuos de 0,45%, 0,81% e 1,85%, respectivamente. As diferenças refletem as condições dos lotes disponíveis e as necessidades de reposição de cada mercado.
No campo, o ritmo de implantação da primeira safra de feijão 2026/2027 também está no radar do setor. Segundo os dados informados pela Conab, o plantio alcançou 20,9% da área acompanhada, abaixo da média histórica de 22,3%. No Paraná, a semeadura chegou a 65% da área prevista, ante 74% no mesmo período de 2025. Em São Paulo, as chuvas têm dificultado os trabalhos de colheita.
A combinação entre a disponibilidade limitada de grãos de melhor qualidade e as condições climáticas deve continuar influenciando os preços nas próximas semanas. Para o feijão-preto, a expectativa é de manutenção das cotações em patamares firmes. No caso do carioca, o avanço da colheita paulista poderá aumentar a oferta, enquanto o comportamento da demanda tende a influenciar a intensidade de novas altas.







