A colheita da primeira safra de feijão segue em ritmo avançado no Brasil, alcançando 73,5% da área cultivada.
No MATOPIBA, região que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e se destaca como importante fronteira agrícola, o desempenho das lavouras tem sido influenciado pelas condições climáticas registradas neste início de abril.
Colheita da primeira safra de feijão

Nos últimos dias, o comportamento das chuvas tem provocado cenários distintos entre os estados da Bahia e do Piauí. Enquanto em algumas áreas o retorno das precipitações favoreceu o desenvolvimento das lavouras, em outras o excesso ou a irregularidade têm imposto dificuldades tanto à colheita quanto à produtividade.
No Piauí, as chuvas registradas entre o fim de março e o início de abril trouxeram alívio aos produtores, principalmente para as lavouras mais tardias. No sudeste do estado, onde havia sinais de escassez hídrica, a melhora na umidade do solo ajudou a preservar o potencial produtivo.
Já no centro-norte, em municípios como Campo Maior, o excesso recente de água contribuiu para conter as perdas, mantendo a estimativa de redução de produtividade em 31,2%, conforme dados do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO), que leva em conta indicadores como precipitação, evapotranspiração e balanço hídrico do solo.
A previsão de menor volume de chuvas no sul do Piauí também tem favorecido o andamento da colheita nas áreas mais adiantadas, permitindo maior avanço das máquinas no campo.

Na Bahia, por outro lado, o cenário tem sido mais desafiador. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita atingiu 88% da área entre o fim de março e a primeira semana de abril, mas o excesso de chuvas tem dificultado o trabalho no campo, especialmente no extremo oeste. A alta umidade tem prejudicado o deslocamento de máquinas e afetado a qualidade dos grãos colhidos.
Em regiões do centro-sul baiano, como Vitória da Conquista, a situação é diferente, marcada pela irregularidade das chuvas e temperaturas elevadas. Esse cenário tem reduzido a umidade disponível no solo e impactado o desenvolvimento das lavouras. Estimativas do SISDAGRO indicam que as perdas de produtividade podem chegar a 42,6% até meados de abril.
Diante desse contraste, o avanço da colheita e os resultados da safra seguem diretamente condicionados à variação das condições climáticas na região.







