A decisão do governo federal de suspender a aplicação imediata de tarifas contra a importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai gerou reação negativa do setor produtivo brasileiro.
A medida foi anunciada após reunião do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex), realizada na quinta-feira (28), mesmo após o reconhecimento oficial da prática de dumping pelos países vizinhos.
Importação de leite em pó

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criticou a decisão e afirmou que os produtores nacionais continuam expostos à concorrência considerada desleal. Segundo a entidade, as importações de leite em pó entraram no país com preços artificialmente reduzidos nos últimos anos, prejudicando a competitividade da produção brasileira.
Dados apresentados pela CNA apontam que, em 2026, as importações atingiram o equivalente a 604 milhões de litros de leite, sendo cerca de 90% provenientes da Argentina e do Uruguai. Conforme a investigação conduzida pelo governo, as distorções nos preços chegaram a até 60%.
Apesar da recomendação técnica favorável à aplicação das tarifas antidumping, o governo decidiu abrir uma avaliação de interesse público antes de colocar as medidas em vigor. A justificativa é analisar possíveis impactos econômicos e efeitos nas relações diplomáticas dentro do Mercosul.
Tarifa

A CNA, no entanto, argumenta que a adoção das tarifas não deve provocar aumento significativo ao consumidor. A entidade destaca que o leite em pó investigado possui baixa participação no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com média de apenas 0,2% nos últimos cinco anos.
De acordo com o assessor técnico da CNA, Guilherme Souza Dias, os principais produtos lácteos consumidos no país, como leite longa vida, queijos e derivados, não seriam afetados pela medida.
Após a decisão do Gecex/Camex, a CNA informou que seguirá em negociação com o governo federal em defesa da cadeia leiteira nacional. O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da entidade, Jônadan Ma, afirmou que o setor continuará buscando medidas de proteção comercial para os produtores brasileiros.







