A presença de microplásticos, agrotóxicos, medicamentos e até drogas ilícitas foi identificada em diferentes trechos do rio Tietê, indicando que o principal curso d’água paulista sofre contaminação ao longo de toda a sua extensão.
Os dados fazem parte da Expedição Tietê 2025, realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com instituições de pesquisa, que percorreu mais de 1,1 mil quilômetros entre a nascente, em Salesópolis, e a foz, no rio Paraná, em Itapura.
Rio Tietê

O levantamento analisou 14 pontos do rio e constatou a presença de microplásticos em todos eles. Além disso, foram encontrados 25 tipos de agrotóxicos e 16 substâncias relacionadas a medicamentos e drogas ilícitas, revelando diferentes fontes de poluição que atuam simultaneamente sobre o ecossistema.
Segundo os pesquisadores, a qualidade da água é afetada por uma combinação de fatores, como o lançamento de esgoto sem tratamento, o descarte inadequado de resíduos, a atividade agrícola, a urbanização e as alterações no uso do solo ao longo da bacia hidrográfica. A avaliação aponta que esses impactos se acumulam e variam conforme as características de cada trecho do rio.
As concentrações de microplásticos variaram entre 330 e 23.587 partículas por metro cúbico de água. A maior parte do material encontrado era formada por fibras, associadas principalmente à lavagem de roupas sintéticas, efluentes domésticos e industriais, drenagem urbana e descarte de lixo.
Os níveis mais elevados foram registrados em áreas urbanizadas, como Osasco, e em reservatórios do interior paulista, como o de Promissão, onde as barragens favorecem o acúmulo dessas partículas.
As análises também identificaram substâncias como cafeína, cocaína, benzoilecgonina, carbamazepina, diclofenaco e losartana. A cafeína esteve presente em todos os pontos monitorados e é considerada um indicador da poluição causada pelo esgoto doméstico.
Contaminação agrícola

No campo da contaminação agrícola, foram detectados 25 agrotóxicos entre os 46 compostos pesquisados. Os resultados apontam maior influência das atividades rurais nos trechos do Médio e Baixo Tietê, regiões marcadas pelo cultivo de cana-de-açúcar, soja e citros.
Entre as substâncias encontradas está a atrazina, herbicida proibido na União Europeia desde 2004 e identificado em alguns locais acima dos limites previstos pela legislação brasileira, reforçando a necessidade de ampliar o monitoramento da qualidade da água e dos impactos das atividades agrícolas sobre os recursos hídricos.







