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Pesquisa aponta luz ultravioleta como aliada na conservação da goiaba

Estudo indica que a modulação da luz UV-C reduz a antracnose e preserva a qualidade da fruta durante o armazenamento.

Por Arieny Alves
Publicado em 30/01/2026 às 12:15
Atualizado em 30/01/2026 às 12:22
Pesquisa aponta luz ultravioleta como aliada na conservação da goiaba

Foto: Envato

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Uma técnica que utiliza luz ultravioleta do tipo C com frequência modulada tem se mostrado uma alternativa promissora para o manejo pós-colheita da goiaba, uma das frutas mais produzidas no país.

A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Instrumentação e avaliada em estudo publicado na revista científica Horticulturae, que analisou seus efeitos sobre a antracnose e a qualidade dos frutos durante o armazenamento.

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Técnica que utiliza luz ultravioleta em plantações

luz ultravioleta de goiaba
Foto: Daniel Terao/Embrapa

A antracnose é considerada a principal doença que afeta a goiaba após a colheita. Provocada por fungos do complexo Colletotrichum gloeosporioides, ela se manifesta por manchas escuras na casca que evoluem para áreas de podridão, comprometendo a aparência, a textura e o valor comercial da fruta.

Diante desse cenário, a equipe de pesquisa testou a aplicação da luz UV-C modulada como um método físico e não químico para conter o patógeno.

Segundo a doutoranda Itala Silva, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), os ensaios em laboratório mostraram que a variação na frequência da radiação interferiu diretamente no desenvolvimento do fungo, reduzindo o crescimento do micélio e a germinação dos esporos, estruturas responsáveis pela disseminação da doença.

Os testes também foram realizados em goiabas recém-colhidas, que tiveram a evolução da antracnose e os parâmetros de qualidade acompanhados ao longo do período de armazenamento. Em comparação com frutas não tratadas, os frutos expostos à luz UV-C modulada apresentaram menor incidência e severidade da doença.

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Consumo e comercialização

Goiaba
Foto: Envato

Além do controle do patógeno, o tratamento não comprometeu características importantes para o consumo e a comercialização. As análises indicaram manutenção por mais tempo da coloração mais verde da casca, menor perda de firmeza e redução da taxa respiratória, sinais de um metabolismo mais lento e de amadurecimento retardado.

Os pesquisadores destacam que, ao contrário dos fungicidas, a radiação UV-C não deixa resíduos químicos, não gera efluentes e não contribui para o desenvolvimento de resistência nos microrganismos.

A modulação da frequência da luz se apresenta como um diferencial por permitir maior eficiência com menor intensidade de radiação, diminuindo o risco de danos à epiderme da fruta.

A goiaba é altamente perecível, e as perdas no pós-colheita representam um desafio para produtores, atacadistas e varejistas. Tecnologias que ampliem a vida útil e reduzam doenças podem trazer ganhos econômicos e contribuir para a redução do desperdício de alimentos.

Apesar dos resultados considerados positivos, a equipe ressalta que ainda são necessários testes em escala comercial. Ajustes como tempo de exposição, distância da fonte de luz e adaptação do equipamento às rotinas de unidades de beneficiamento devem ser avaliados antes da adoção ampla da técnica.

O estudo, no entanto, aponta que a luz UV-C modulada pode ser aplicada também a outras frutas suscetíveis a doenças pós-colheita, ampliando o uso de métodos físicos no caminho de sistemas agrícolas mais sustentáveis.

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Tags: antracnoseGoiabaluz ultravioletaplantações

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