Pesquisadores da Embrapa, vinícolas e produtores rurais do Rio Grande do Sul estão avaliando diferentes cultivares de aveia-preta como alternativa para a cobertura do solo em áreas de produção de uva na Serra Gaúcha.
A pesquisa busca identificar plantas capazes de ajudar na conservação de áreas de encosta e tolerar solos com altas concentrações de cobre, acumulado ao longo dos anos pelo uso de fungicidas à base do metal.
Cultivares de aveia-preta

A região concentra parte importante da viticultura gaúcha e apresenta condições que favorecem a erosão. Os vinhedos são instalados, em muitos casos, sobre terrenos inclinados, com solos rasos e declividades que podem chegar a 30%. Nessas áreas, a manutenção de vegetação sobre o solo ajuda a reduzir o impacto da água das chuvas e o carregamento de partículas.
Segundo o engenheiro agrônomo Marcelo Klein, da Embrapa Trigo, a cobertura vegetal é uma das medidas para diminuir as perdas de solo e água provocadas pelo escoamento superficial.
Tradicionalmente, o azevém é utilizado como cobertura nos vinhedos da região. O manejo da espécie, porém, tem ficado mais difícil devido ao surgimento de populações resistentes a herbicidas, o que aumenta os custos de controle. Diante desse cenário, pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho e da Embrapa Trigo passaram a investigar outras gramíneas que possam cumprir essa função.
Um dos pontos analisados é a capacidade das plantas de se desenvolverem em solos com excesso de cobre. O metal chega ao solo principalmente pelo uso recorrente de fungicidas cúpricos, como a calda bordalesa, empregada no controle de doenças que afetam as videiras e especialmente comum em sistemas de produção orgânica.
Cobre fica concentrado nas raízes

Os experimentos mostraram que o cobre absorvido pela aveia-preta tende a permanecer principalmente no sistema radicular, com pouca transferência para a parte aérea da planta. Para os pesquisadores, essa característica pode ser relevante na identificação de genótipos mais tolerantes à presença do metal.
A concentração do cobre nas raízes também indica uma possível utilização da aveia-preta em vinhedos instalados em solos com elevados teores do elemento. A planta pode contribuir para reduzir a mobilidade do cobre no sistema solo-planta, ao mesmo tempo em que mantém o terreno protegido pela cobertura vegetal.
A estratégia pode ter importância principalmente durante a implantação ou renovação dos vinhedos. Nessa fase, a elevada disponibilidade de cobre no solo pode prejudicar o desenvolvimento das mudas de videira.
Além da possível tolerância ao metal, a aveia-preta apresenta características que favorecem a conservação do solo. A formação de cobertura vegetal pode ajudar a conter a erosão, aumentar a infiltração de água, contribuir para a manutenção da matéria orgânica, melhorar a estrutura do solo, estimular a atividade biológica e reduzir a perda de água por evaporação.
Os pesquisadores, no entanto, ressaltam que os resultados ainda não permitem afirmar que a aveia-preta seja capaz de descontaminar o solo. São necessários estudos complementares para avaliar os efeitos do uso contínuo da cultura e seu impacto sobre a disponibilidade de cobre.
A identificação de cultivares capazes de tolerar maiores concentrações do metal amplia as possibilidades de manejo de áreas com esse problema. A aveia-preta pode, dessa forma, ser estudada tanto como ferramenta de conservação física do solo quanto como alternativa para áreas de vinhedos sujeitas ao acúmulo de cobre.







