O Brasil ampliou o acesso de produtos da suinocultura ao mercado chinês com a assinatura de um novo protocolo sanitário que permite a exportação de miúdos suínos, como fígado, coração e esôfago.
O acordo foi firmado no sábado (26) pelo ministro da Agricultura, André de Paula, e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao.
Miúdos suínos

A China já compra do Brasil partes externas dos animais, como orelha, rabo e focinho. Com a atualização das regras, outros produtos passam a fazer parte da pauta autorizada para embarques ao país asiático, ampliando as possibilidades de comercialização para os frigoríficos brasileiros habilitados.
A negociação vinha sendo conduzida pelo Ministério da Agricultura e teve uma etapa anterior durante uma missão brasileira à China, em maio. A assinatura definitiva ocorreu no encerramento de uma auditoria realizada por técnicos chineses no Brasil, que começou no dia 20 de setembro.
Durante a visita, os representantes chineses passaram por propriedades rurais, frigoríficos e laboratórios oficiais de seis Estados, avaliando estruturas relacionadas à produção de carnes bovina, suína e de aves. Apesar da conclusão da auditoria, não foram anunciadas novas habilitações de unidades nem mudanças nas suspensões que atingem frigoríficos de bovinos e aves.
Atualmente, 16 plantas brasileiras estão autorizadas a exportar miúdos suínos para a China. Desse total, sete ficam em Santa Catarina, oito no Rio Grande do Sul e uma em Mato Grosso. Santa Catarina já tinha autorização para enviar miúdos externos ao mercado chinês, enquanto unidades gaúchas e paranaenses passaram a ter acesso a esse comércio a partir de junho de 2026.

A ampliação do protocolo ocorre em um mercado considerado relevante para esse tipo de produto. As importações chinesas de miúdos suínos movimentam cerca de US$ 2,5 bilhões por ano, segundo o Ministério da Agricultura. Para o Brasil, a abertura para novos itens aumenta a variedade de produtos que podem ser direcionados ao país e cria espaço para novas operações comerciais.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que mais de 100 mil toneladas de miúdos suínos brasileiros possam ser destinadas anualmente à China com a nova autorização. A entidade calcula ainda que a ampliação dos embarques pode gerar mais de US$ 100 milhões em receitas para o setor.
Entre os Estados com maior potencial, Santa Catarina aparece com uma estimativa de até 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos destinados ao mercado chinês. No Rio Grande do Sul, a projeção supera 40 mil toneladas por ano, além das oportunidades relacionadas às exportações de carne suína com osso.







